Jorge Coelho, o homem da ‘máquina socialista’ que se demitiu do Governo após a tragédia de Entre-os-Rios
Foi empresário e empreendedor. Fora da vida política criou ainda a “Queijaria Vale da Serra”, como homenagem ao avô.
Jorge Paulo Sacadura Almeida Coelho nasceu em Viseu, a 17 de Julho de 1954. Homem do interior do país, sempre esteve ligado à terra e muito tempo da sua infância foi passada com o avô, que seria uma figura importante na sua vida.
Estudante de engenharia na Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra, Jorge Coelho militou na extrema-esquerda antes e depois da Revolução do 25 de Abril. Em 1982, ingressou no Partido Socialista, onde se assumiria como dirigente.
O interesse pela política fê-lo assumir importantes cargos em Portugal, nomeadamente durante o governo de António Guterres. Foi Ministro-Adjunto (a partir de 1995), Ministro da Administração (em 1997) e no XVI Governo, após as Legislativas de 1999, tomou posse dos cargos de Ministro da Presidência e Ministro das Obras Públicas.
Em 2001, saiu do Governo, na sequência da queda da ponte em Entre-os-Rios, em Castelo de Paiva, depois de pedir a demissão, assumindo a "responsabilidade política" e sublinhando que "não ficaria bem com a minha consciência se não o fizesse".
Jorge Coelho foi ainda presidente do Grupo Mota-Engil, empresário e empreendedor.
O regresso às origens resultou na criação da Queijaria Vale da Serra, que foi reconhecida pela produção de um queijo, com a certificação de "Denominação de Origem Protegida". A ligação à criação de queijos veio da atividade que realizava com o avô, enquanto criança.
Numa entrevista, Jorge Coelho revelou que aquele espaço "tem uma história; em determinada altura da minha vida, achei que estava na altura de um certo regresso às origens e fazer alguma coisa para o desenvolvimento da região" no interior do país.
Jorge Coelho morreu esta quarta-feira, aos 66 anos.
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