PORTAS ENFIOU A CARAPUÇA

O socialista Eduardo Cabrita voltou anteontem à noite a sublinhar que regista o "manifesto grande nervosismo de Paulo Portas” a propósito das substituições na Polícia Judiciária e da saída de Maria José Morgado da Direcção Central de Investigação da Corrupção e Criminalidade Económica e Financeira.

01 de setembro de 2002 às 23:01
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Cabrita vai ainda mais longe, e sustenta que o presidente do CDS-PP e ministro da Defesa “enfiou uma carapuça" ao defender Celeste Cardona, ministra da Justiça e responsável pela tutela da PJ.

“O que se passa politicamente na Polícia Judiciária é indispensável” esclacerer para continuar “o combate ao crime económico e financeiro", sustentou no sábado à noite o deputado do PS e ex-secretário de Estado da Justiça.

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Eduardo Cabrita saudou ainda o facto de Celeste Cardona se ter mostrado finalmente disponível para ir à Assembleia da República "responder às questões e explicar os motivos associados à demissão da directora nacional-adjunta da PJ, Maria José Morgado, e afastar as dúvidas que possam existir em relação a este processo". O deputado lamenta apenas que "a ministra só se tivesse disposto a isso ao fim de dois dias".

Segundo Cabrita, é público o quem têm sido os últimos meses da Judiciária. “Devem esclarecer-se as circunstâncias que levam à reformulação da equipa no final de três meses. E isso é da responsabilidade da actual ministra, já que as opções de orientação legislativa são suas". O deputado recorda ainda que "na altura da sua demissão" falou do "notável trabalho de Maria José Morgado".

Para o deputado socialista,"Pedro Mota Soares, o secretário-geral do CDS/PP, fez “uma coisa inaceitável”: “Discutir partidariamente coisas que estão em tribunal". As acusações feitas pelo dirigente popular de que se assiste a uma tentativa de bloquear o bom trabalho dos ministros do seu partido são também recusadas pelo deputado sicialista: "Não há bom trabalho dos ministros do PP e o único trabalho de Celeste Cardona foi a reforma da Acção Executiva que resultou no essencial de trabalho da equipa anterior do ministério. No resto é inexistente".

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Esta posição de Eduardo Cabrita, menos contundente do que a defendida a meio da semana, reforça no entanto o sentido da estratégia socialista e da oposição: manter na ordem do dia um caso que expõe Paulo Portas. As ligações do ministro à empresa de sondagens Amostra e à Universidade Moderna e os alegados financiamentos desta universidade ao CDS-PP prometem ter mais desenvolvimentos no julgamento em curso no Tribunal de Monsanto. Portas já disse que as suspeições sobre as suas ligações à Moderna "têm anos" e que se sente "à vontade", no entanto a pressão judicial e política vai aumentar.

Para o lugar de Maria José Morgado na PJ, o director nacional Adelino Salvado propôs à ministra da Justiça Celeste Cardona a nomeação do magistrado do Ministério Público Albano Morais Pinto que toma posse hoje. Ferreira Leite abandona também nas próximas horas o combate à droga para assumir funções no combate ao banditismo.

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