Porto arrisca perder classificação da UNESCO por destruição de património, afirma o Bloco de Esquerda

Reação do partido surge na sequência da destruição do interior do edifício onde funcionou a Confeitaria Serrana, na Rua do Loureiro, por parte do proprietário, o Grupo Lionesa, que detém a Livraria Lello.

23 de junho de 2026 às 18:02
Bloco de Esquerda afirmou esta terça-feira que o Porto arrisca perder classificação da UNESCO por destruição de património Foto: Pedro Noel da Luz/Correio da Manhã
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A concelhia do Porto do Bloco de Esquerda alertou esta terça-feira para o risco de o Centro Histórico da cidade perder a classificação de Património Mundial da Humanidade, dada a "contínua degradação do património" nesse perímetro.

"O Bloco de Esquerda denuncia a contínua degradação do património classificado e responsabiliza a Câmara Municipal do Porto e a Sociedade de Reabilitação Urbana Porto Vivo pela perda de autenticidade de um sítio reconhecido pela UNESCO como Património Mundial da Humanidade", pode ler-se no comunicado dos bloquistas.

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A concelhia do BE reagia a uma notícia avançada pelo Público sobre a destruição do interior do edifício onde funcionou a Confeitaria Serrana, na Rua do Loureiro, que dá conta da demolição ilegal desse 'recheio' por parte do proprietário, o Grupo Lionesa, que detém a Livraria Lello.

A autarquia explicou, ao mesmo jornal, que não tinha conhecimento da demolição do interior do edifício, datado de 1869 e em que funcionou a Confeitaria Serrana, encerrada em 2022.

"Não é a primeira vez que, no centro histórico sob gestão da Porto Vivo, ocorrem demolições do interior de prédios, mantendo-se apenas as fachadas. Tal já aconteceu no Quarteirão das Cardosas ou no edifício Garantia, ou em prédios em Carlos Alberto com interiores datados do séc. XVIII. Mas o que é especialmente grave é ter sido demolido o interior dum estabelecimento reconhecido pelo município como 'Porto de Tradição'", acrescenta aquele partido.

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O BE lembra as recomendações do órgão consultivo da UNESCO, a ICOMOS, que coloca o Centro Histórico da cidade em risco, 30 anos após a classificação, pelo que os bloquistas querem reivindicar "responsabilidade política" para o território, ao arrepio do "continuado desrespeito da Porto Vivo e dos decisores municipais pelas normas e técnicas de salvaguarda".

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