Presidente da Câmara do Porto: "Se o Chega ultrapassar o PSD será muito preocupante para a nossa democracia"
Barómetro da Intercampus para o CM dá o partido de André Ventura em segundo lugar nas intenções de voto, à frente da AD.
O presidente da Câmara do Porto considerou que se o Chega ultrapassar o PSD, tal como aponta a sondagem da Intercampus para o CM, isso "será um sinal muito preocupante para a nossa democracia". Pedro Duarte, que foi ministro da ministro dos Assuntos Parlamentares no primeiro Governo de Luís Montenegro, qualificou André Ventura como um "líder populista" e equiparou-o a Donald Trump.
"Infelizmente, já vimos outros países que deslizaram por caminhos muito negativos. O exemplo mais notório talvez sejam os EUA. Há uma Administração que está a autodestruir o país a todos os níveis. O que está a acontecer globalmente mostra-nos como algo construído ao longo de muitas décadas pode ser destruído em poucos meses", afirmou o autarca, em entrevista ao 'Expresso', publicada esta sexta-feira.
Pedro Duarte, que no Porto rejeitou sempre fazer um acordo de governação com o partido de Ventura, defendeu que a nível nacional a solução é a que o Executivo da AD tem seguido: "fazer o seu caminho, tentar concretizar o seu programa e, quando não for possível, explicar aos portugueses porque é que as coisas não avançam". "Chegará um momento em que os portugueses farão a avaliação do Governo, mas também das oposições. Se quiserem continuar a bloquear, responderão por isso", disse, culpando por isso mais o PS do que o Chega.
"Talvez por uma questão de expectativa e de histórico. Acho que o PS, em determinados momentos históricos, teve lideranças e atitudes patrióticas. O Chega nunca mostrou isso no passado. O PS tinha todo o espaço para recuperar a confiança dos portugueses tendo uma atitude responsável e construtiva", referiu ao 'Expresso'.
O autarca considerou que, em teoria, o Executivo de Montenegro pode levar a legislatura até ao fim. "Há condições para um Governo minoritário avançar, mesmo perante uma oposição que assume como padrão uma atitude de bloqueio. Espero, pelo bem do País, que seja possível, porque acho que estamos todos fartos de eleições", afirmou. As próximas legislativas são em 2029.
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