Presidente da República pede "mais atenção e investimento" para territórios do interior e da raia

No final da visita à Bienal Internacional de Arte de Cerveira (BIAC), em declarações aos jornalistas, observou que "aquilo que muitas das vezes se julga que só pode existir nos grandes centros é um mito".

23 de agosto de 2026 às 13:54
Presidente da República Foto: Manuel Fernando Araújo/Lusa
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O Presidente da República pediu este domingo "mais atenção e investimento" do Estado para os desafios do envelhecimento, despovoamento e distância dos centros de decisão" dos territórios do interior e da raia, em nome de um "país coeso".

"Um país coeso não se mede pela força das suas capitais, mas pela vitalidade dos seus territórios. E Portugal precisa de comunidades que resistam, que se reinventem, que atraiam quem vem de fora e não deixem ir quem quer ficar", afirmou António José Seguro, num discurso na Câmara de Vila Nova de Cerveira, no distrito de Viana do Castelo, onde se deslocou para visitar a Bienal Internacional de Arte.

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Seguro observou que o "despovoamento, o envelhecimento e a distância dos centros de decisão", desafios de "territórios do interior e da raia", como é o caso de Vila Nova de Cerveira, "exigem do Estado central mais atenção, mais investimento e mais confiança nas autarquias, que conhecem melhor do que ninguém as suas gentes e as suas necessidades".

"Ser pequeno em população não é ser pequeno em ambição. E Vila Nova de Cerveira é disso exemplo", afirmou. Seguro frisou que Vila Nova de Cerveira "tem uma vantagem que poucos concelhos portugueses possuem", que é saber "exatamente o que é".

"Sabe-se castelo e sabe-se arte. Sabe-se raia e sabe-se ponte. E essa dupla identidade entre a pedra do castelo de Dom Dinis e a liberdade das telas e esculturas da Bienal faz deste concelho um lugar singular no mapa de Portugal. Que continue a merecer essa dupla vocação, de guardiã da fronteira que une e não da fronteira que separa", disse.

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No final da visita à Bienal Internacional de Arte de Cerveira (BIAC), em declarações aos jornalistas, observou que "aquilo que muitas das vezes se julga que só pode existir nos grandes centros é um mito".

"Eu disse há cerca de uma semana que em Portugal não há territórios dispensáveis, ou melhor, não deve haver territórios dispensáveis. E aqui está um exemplo de um território de fronteira, de um território longe fisicamente dos grandes centros, mas próximo do essencial, das pessoas, da arte, da nossa cultura", sublinhou.

Para o chefe de Estado, "a afirmação desta Bienal é extraordinária e a capacidade das pessoas de Cerveira, da sua Câmara e de todas as pessoas que participam de alguma forma na concretização desta Bienal é um exemplo extraordinário de como se pode levar cultura, fazer cultura, mostrar cultura, partilhar cultura com todo o país e também aberto ao mundo".

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Em Cerveira, há "uma relação muito grande com o outro lado de lá, da fronteira, das tais fronteiras que nós entendemos que não têm sentido porque, como eu costumo dizer, preferimos os caminhos às fronteiras", disse.

"Ontem [no sábado] estive em Viana do Castelo na manifestação de uma expressão da cultura popular, onde se conjuga a tradição com as novas gerações, a festa, a alegria, o orgulho que sai da alma de se afirmarem como minhotos e minhotas e portugueses. Hoje tenho aqui uma outra expressão de cultura, de contemporaneidade, de fazer de Cerveira um palco do mundo, mas também aberto ao mundo e a todos os visitantes", descreveu. 

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