Primeira zanga entre Belém e São Bento

Chefe de Estado anda no terreno a falar com a população, após ter criticado a frieza de Costa.

20 de outubro de 2017 às 01:30
António Costa e Marcelo Rebelo de Sousa em ambiente de boa disposição na visita de dois dias ao Brasil Foto: Paulo Novais / Lusa
Marcelo Rebelo de Sousa afirmou querer perceber se atual maioria “é afinal um equívoco”. Do lado do Executivo de Costa, a garantia é que o Governo é estável Foto: Luís Forra / Lusa
Marcelo Rebelo de Sousa Foto: Lusa
António Costa Foto: António Cotrim/Lusa

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O Presidente da República e o primeiro-ministro estão, pela primeira vez, de costas voltadas. Marcelo Rebelo de Sousa anda pelo terreno a conversar com as populações afetadas pelos incêndios. António Costa, que não gostou do discurso severo e da repreensão pública do Chefe de Estado, viajou até Bruxelas para negociar com a Comissão Europeia uma garantia de que o aumento da despesa pública resultante dos incêndios não entra para o limite do défice.

Segundo apurou o CM, no Governo, a lógica é de que a maioria parlamentar está estável. Várias fontes dizem ao CM que o PCP mantém o apoio ao Executivo, aquela que poderá ser uma das preocupações de Marcelo a médio prazo. E a primeira resposta, adiantam as mesmas fontes, será o chumbo da moção de censura do CDS, na terça-feira.

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Há ainda a convicção de que com os resultados económicos obtidos há uma satisfação geral, pelo que a ameaça do Presidente em usar os poderes constitucionais – como a dissolução da Assembleia da República – é infundada.

Em Belém, Marcelo deu sinais de que preferia uma remodelação mais alargada, pelo que não terá ficado satisfeito com o facto de Costa ter optado por fazer uma mudança cirúrgica, reorganizando pastas. A atual relação entre Presidente e primeiro-ministro é descrita ao CM como "tensa".

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Tal não quer dizer que haja uma crise, mas o embate foi público e, mesmo que o primeiro-ministro tente demonstrar que está a dar todas as respostas a Marcelo, fontes socialistas dizem ao CM que Costa ficou agastado e zangado com o discurso do Presidente, até porque não houve uma conversa prévia a dois. "Já se sabe que António Costa não gosta de raspanetes", desabafa fonte parlamentar.

Marcelo esperou, na terça-feira, que Costa saísse de Oliveira do Hospital para se dirigir à mesma localidade e fazer um discurso ao País. 

"País devastado e Governo fragilizado"

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