Primeiro-ministro adia sucessão de Maria Lúcia Amaral
Chefe do Governo assumiu temporariamente a pasta e reconduziu os três secretários de Estado do ministério. Oposição critica 'timing' da saída da ministra.
Lúcia Amaral foi a primeira baixa no Governo de Luís Montenegro, que assumiu transitoriamente a pasta da Administração Interna e esteve em Coimbra com o Presidente da República a acompanhar a crise dos diques do Mondego. O primeiro-ministro disse que “oportunamente” irá abordar a questão da sucessão da ministra, afirmando entender as razões do pedido de demissão.
“Eu propus [ao Presidente da República] essa demissão com base na iniciativa da senhora ministra”, referiu Montenegro. Para Marcelo Rebelo de Sousa, a decisão do primeiro-ministro de assumir a tutela da Administração Interna é “um sinal político” dado ao País e “foi uma boa solução”.
Entretanto, o chefe do Governo reconduziu os secretários de Estado do Ministério da Administração Interna, que tinham sido automaticamente exonerados com a demissão da ministra. O Presidente da República deu-lhes posse para que se mantenham em funções: Paulo Simões Ribeiro como secretário de Estado Adjunto e da Administração Interna, Telmo Correia com a Administração Interna e Rui Rocha com a Proteção Civil.
Os dois maiores partidos da oposição, Chega e PS, criticaram o timing da saída da ministra. André Ventura, do Chega, defendeu que um ministro não deve sair quando é mais preciso. “Acontecer no meio de uma catástrofe é um sinal de desorientação”, criticou.
Pelo PS, Eurico Brilhante Dias considerou “lamentável” e invulgar que a saída da ministra tenha ocorrido em plena crise com a sucessão de tempestades. Também o líder do PS, José Luís Carneiro, afirmou que esta demissão “é a prova de que o Governo falhou na resposta” à tempestade.
Devido à situação de calamidade, que vigora até domingo, o primeiro-ministro cancelou a sua participação no retiro informal de líderes da União Europeia de hoje.
COMANDO OPERACIONAL
O secretário-geral do PS, José Luís Carneiro, propôs ao primeiro-ministro que ative “um comando operacional com um comando político forte e eficaz”, para dar resposta às catástrofes devido ao mau tempo, e também “equipas multidisciplinares que acompanhem ao minuto, à hora, o que está a passar-se em todo o País”.
Debate adiado
O debate quinzenal com o primeiro-ministro, que estava agendado para quarta-feira, foi adiado para sexta-feira às 10h00, devido à crise dos diques do Mondego.
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