Ministra da Administração Interna pediu a demissão do cargo na terça-feira, depois da onda de críticas à forma como atuou e geriu a resposta à depressão Kristin que assolou o país há quinze dias.
A Associação Nacional dos Sargentos da Guarda (ANSG) considerou esta quarta-feira que o mandato da ministra da Administração Interna, que se demitiu na terça-feira, foi marcado por "falta de sensibilidade política" e pelo arrastamento do processo negocial.
Em comunicado, a ANSG manifesta-se preocupada com "o rumo que o Governo tem vindo a adotar" no diálogo com as estruturas representativas da GNR, lembrando a coincidência de a demissão da ministra ter ocorrido no dia em que foi aprovada a alteração à portaria dos serviços remunerados, "sem que tenha sido acolhida qualquer proposta" apresentada pela associação.
Em particular, a ANSG destaca a não adoção da tabela única, mantendo-se a divisão entre Tabela A e Tabela B, sendo esta última aplicada quando o encargo é suportado pelo Estado, o que, segundo a associação, significa que o trabalho do militar da Guarda é remunerado por um valor inferior quando é o próprio Governo a suportar esse encargo.
"Tal opção é incompreensível e injustificável", considera a ANSG, sublinhando que esta postura se traduz "num processo negocial meramente unilateral", sem verdadeira abertura para integrar contributos das associações representativas, o que "impede a resolução dos reais problemas que afetam a Guarda Nacional Republicana e os seus profissionais".
A demissão de Maria Lúcia Amaral ocorreu após oito meses no cargo, que a ANSG considera terem sido marcados por "um evidente arrastamento do processo negocial", bem como por uma "falta de sensibilidade política relativamente às legítimas expectativas das forças de segurança".
Recorda que, desde o início deste ciclo governativo, a tutela já foi assumida por duas ministras --- Margarida Blasco e Maria Lúcia Amaral ---, "sem que tenha existido qualquer avanço estrutural nas matérias fundamentais", apesar das promessas que segundo a associação tinham sido assumidas em julho de 2024.
Indica igualmente esperar que a nomeação de um novo titular da pasta represente "uma mudança efetiva" de postura e capacidade negocial, mas deixa claro que tal "não pode servir de pretexto para novo adiamento das negociações".
Assumindo-se "cansados do protelar desta situação", os militares da Guarda exigem ao primeiro-ministro que, "após sucessivos compromissos não concretizados", o próximo titular da pasta da Administração Interna "tenha efetiva capacidade política e negocial" para resolver os problemas estruturais que afetam o setor.
A ministra da Administração Interna pediu a demissão do cargo na terça-feira, depois da onda de críticas à forma como atuou e geriu a resposta à depressão Kristin que assolou o país há quinze dias.
Segundo a informação divulgada nua nota oficial emitida na terça-feira à noite pela Presidência da República, o primeiro-ministro, Luís Montenegro, "assumirá transitoriamente as respetivas competências".
Esta é a primeira demissão do XXV Governo PSD/CDS-PP liderado por Luís Montenegro, pouco mais de oito meses depois da sua posse, a 5 de junho de 2025.
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