Primeiro-ministro defende que mais vale tentar e falhar do que adiar modelo de IA português

Primeiro-ministro defendeu que a cultura do risco "deve ser entendida dentro de um sentido de responsabilidade, mas também de ambição, de esperança, de confiança".

01 de julho de 2026 às 17:22
Luís Montenegro na apresentação do LLM Amália, em Lisboa Foto: José Sena Goulão
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O primeiro-ministro elogiou esta quarta-feira a cultura do risco na apresentação do primeiro modelo de Inteligência Artificial (IA) português, defendendo que mais vale tentar e falhar do que adiar soluções, porque "quem não arrisca não petisca".

Luís Montenegro aproveitou ainda a ocasião para elogiar o papel transversal do ministro Adjunto e da Reforma do Estado, Gonçalo Matias, no Governo, assegurando que, no executivo, estão "todos a remar para o mesmo lado".

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Perante uma plateia composta sobretudo por investigadores, envolvidos no desenvolvimento do Amália, grande modelo de linguagem (Large Language Model - LLM), Montenegro deixou uma mensagem que pode ser entendida como de caráter mais geral.

"Temos a obrigação de não perder mais tempo. Discutir menos e fazer mais. Discutir o suficiente, mas fazer. Foi isso que nós fizemos aqui. Não nos quisemos perder em discussões que são legítimas, mas que iriam basicamente atrasar tudo", afirmou.

O primeiro-ministro defendeu que a cultura do risco "deve ser entendida dentro de um sentido de responsabilidade, mas também de ambição, de esperança, de confiança".

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"É mesmo caso para dizer que quem não arrisca não petisca. Quem fica a aguardar grandes reflexões e grandes consensualizações fica para trás", avisou.

Montenegro defendeu que "é mais importante tentar do que adiar, é preciso tentar e eventualmente falhar", justificando a razão pela qual, em novembro de 2024, aceitou o desafio de ter, num ano e meio, um modelo português de IA.

Sobre Gonçalo Matias, o primeiro-ministro sublinhou que é "um elemento que intervém de forma transversal em toda a administração, em todos os setores da governação e, por via disso, em todos os setores da sociedade".

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"Esta coordenação, dentro da nossa orgânica, também é fundamental porque todos estão a remar para o mesmo lado, na mesma direção, para termos processos mais simples e, depois de termos a simplificação dos processos, termos processos mais digitais para poderem servir o cidadão", afirmou.

Montenegro aproveitou para revelar um pedido que deixou ao seu ministro Adjunto.

"Não digitalize aquilo que ainda não está simplificado porque isso é transportar a burocracia tradicional para a burocracia digital que é tão ou mais difícil de superar. Simplifiquem, simplifiquem, simplifiquem e depois digitalizem", apelou.

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O novo LLM nacional envolveu cerca de 60 investigadores e representou um investimento inicial de 5,5 milhões de euros, financiado pelo PRR (Plano de Recuperação e Resiliência), estando prevista uma nova fase até 2027, com um investimento adicional de 1,5 milhões de euros.

"Eu prometo-vos uma coisa em nome do Governo. Nós vamos continuar a investir muito neste projeto e em todos aqueles que agora se lançam em cima dele", assegurou.

Montenegro deixou um agradecimento especial à comunidade académica e tecnológica.

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"Este é um investimento na nossa ciência, na nossa capacidade tecnológica e na relação entre o conhecimento científico, a inovação, a tecnologia, com a vida quotidiana das pessoas, seja no perímetro público, para os cidadãos, seja no perímetro privado, nas empresas", disse.

O primeiro-ministro admitiu que Portugal não poderá competir, nesta matéria, com outros países que já começaram a investir há mais tempo, mas salientou a importância da autonomia estratégica da Europa em matéria de IA.

"Eu sei que é um pequeno passo, mas são pequenos passos que estão a ser dados na Alemanha, na Suíça, na Polónia, nos Países Baixos, em Espanha", disse, desejando que um modelo europeu possa, no futuro, competir com os líderes neste domínio, Estados Unidos e da China.

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Segundo o Governo, os objetivos deste modelo aberto de IA passam por "reforçar a soberania digital, reduzir a dependência tecnológica externa e criar uma infraestrutura estratégica para a transformação digital do Estado".

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