PS acusa Governo de transformar "acesso ao arrendamento num leilão"

Partido critica que seja retirado "o único mecanismo que moderava os preços dos novos contratos".

10 de julho de 2026 às 11:31
PS acusa Governo de transformar "acesso ao arrendamento num leilão" Foto: Horacio Villalobos/Corbis via Getty Images
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O PS acusou, esta sexta-feira, o Governo de avançar com medidas que transformam "o acesso ao arrendamento num leilão" e estimulam o aumento dos preços, criticando que seja retirado "o único mecanismo que moderava os preços dos novos contratos".

Depois de uma primeira apreciação negativa feita na quinta-feira pelo líder do PS, José Luís Carneiro, às novas medidas para o mercado de arrendamento, esta sexta-feira o dirigente socialista André Moz Caldas criticou as propostas do Governo e a forma, ou seja, o facto de ser uma "proposta de lei de autorização legislativa" que impede que seja "maduramente discutida na especialidade".

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Perante "os preços mais altos do que há memória", segundo o PS, aquilo que o Governo propõe é "antecipar em três anos o fim do travão às rendas nos novos contratos" que tinha sido criado pelo Mais Habitação.

"No mercado a subir 9% no trimestre, o Governo decide retirar o único mecanismo que moderava os preços dos novos contratos. Não é uma medida de habitação, é um estímulo ao aumento dos preços", condenou.

André Moz Caldas disse ainda que passam a poder ser exigidas três rendas antecipadas e as cauções deixam de ter qualquer limite legal, uma medida que, na análise dos socialistas, "transforma o acesso ao arrendamento num leilão".

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"O regime proposto [para contratos anteriores a 1990] pode significar aumentos brutais nas rendas e incerteza, também para os mais idosos. O que o Governo chama de transição gradual é, na prática, a abertura de um caminho para o descongelamento abrupto e para o fim dos contratos", apontou ainda.

No entanto, para o dirigente do PS é preciso justiça quanto à medida sobre o encurtamento para dois meses do prazo dos despejos por rendas em atraso.

"A simplificação do procedimento de despejo, quando o despejo é efetivamente devido, é positiva. O Partido Socialista não defende o incumprimento, nunca defendeu, e reconhece que a morosidade dos processos é um problema real para as senhorias e para a confiança no mercado", disse.

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Moz Caldas disse ainda que o decreto ainda não tinha chegado ao parlamento e por isso, "na melhor das hipóteses, este diploma só será discutido em setembro".

"Compreende-se mal a necessidade de anunciar uma iniciativa nesta altura, quando não há nenhuma possibilidade dela ser discutida e apreciada antes da interrupção parlamentar. Quase diria que o Governo quer introduzir na agenda um novo tema para que da agenda saiam outros, um bocadinho mais desconfortáveis, para o Governo neste momento", sugeriu, numa referência implícita aos problemas com os exames nacionais.

Questionado sobre se o PS pondera uma futura apreciação parlamentar, o dirigente socialista referiu que "nunca poderá deixar de estar em cima da mesa".

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"Se o Governo insistir na modalidade de proposta de lei de autorização legislativa, essa proposta de lei for aprovada e der origem a um decreto de lei autorizado, se o PS não se revir com ele, tem, de facto, à sua disposição a possibilidade de chamar o decreto de lei autorizado ao Parlamento e proceder a um processo de apreciação parlamentar", disse.

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