PS apresenta voto de solidariedade com Ceuta e condena exploração política por extremistas
Socialistas propõem que deputados manifestem "solidariedade com o Reino de Espanha, as autoridades espanholas e a população de Ceuta".
O PS apresentou esta terça-feira um voto de solidariedade com Espanha e Ceuta na sequência da "entrada massiva de migrantes" no seu território, condenando as redes de tráfico de seres humanos e a "exploração política desta crise por forças extremistas".
Num projeto submetido esta terça-feira na Assembleia da República, o Grupo Parlamentar do PS propõe que os deputados manifestem a sua "solidariedade com o Reino de Espanha, as autoridades espanholas e a população de Ceuta, na sequência da violação da sua integridade territorial através da entrada massiva de migrantes no seu território".
Os socialistas pretendem também que o Parlamento condene "a atuação das redes criminosas de tráfico de seres humanos que exploram migrantes vulneráveis, promovem movimentos migratórios irregulares e colocam deliberadamente em risco vidas humanas", bem como a "a exploração política desta crise por forças extremistas e populistas que procuram instrumentalizar o sofrimento humano para promover discursos xenófobos" contra migrantes.
Na exposição de motivos, o PS escreve sublinha que o facto de Ceuta não integrar plenamente o espaço Schengen "não diminui" a "gravidade dos acontecimentos", considerando-os uma "séria pressão sobre uma fronteira externa da União Europeia" que coloca "exigências acrescidas em matéria de segurança gestão migratória e resposta humanitária".
O PS enaltece Espanha como "um parceiro estratégico, país vizinho e aliado fundamental, com quem Portugal mantém uma relação bilateral de amizade, confiança e cooperação particularmente estreita, assente em valores comuns, na integração europeia e numa cooperação permanente", assinalando também a relação de Portugal com Marrocos.
"Por seu lado, o Reino de Marrocos constitui igualmente um parceiro muito relevante, com quem Portugal mantém uma relação de amizade e cooperação estratégica, essencial para a estabilidade do Mediterrâneo Ocidental, para o diálogo euromediterrânico e para a gestão conjunta dos desafios migratórios", escreve o partido.
Os socialistas defendem "firmeza no combate às redes de tráfico de seres humanos, respeito pelo Direito Internacional, proteção das fronteiras externas da União Europeia e garantia da dignidade e dos direitos fundamentais das pessoas migrantes", pedindo que este acontecimento não sirva de "pretexto para discursos xenófobos ou para a exploração política do sofrimento humano".
"Importa rejeitar e condenar a instrumentalização desta crise por forças políticas da extrema-direita europeia, que procuram transformar uma emergência humanitária e de segurança num veículo para a disseminação de narrativas de ódio, divisão, xenofobia, desinformação e hostilidade contra migrantes, enfraquecendo simultaneamente a necessária solidariedade europeia perante desafios comuns", consideram.
Cerca de 72.000 pessoas entraram na cidade autónoma espanhola de Ceuta, situada no norte de África, em 24 horas na semana passada e 70.000 já voltaram a Marrocos, segundo dados atualizados pelas autoridades de Espanha.
Pelo menos 75 pessoas morreram a tentar chegar a Ceuta a nado.
Ceuta, um pequeno território de 80.000 habitantes situado no extremo norte de Marrocos, banhado pelo estreito de Gibraltar, é uma das duas fronteiras terrestres entre África e a Europa, juntamente com o outro enclave espanhol de Melilla.
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