PS considera suspensão das trotinetes em Lisboa reconhecimento de falhanço de Moedas
Vereadores do PS criticam a sucessão de decisões do autarca, que em 2023 anunciou um acordo com os operadores para resolver os problemas de estacionamento.
Os vereadores do PS na Câmara de Lisboa consideraram esta sexta-feira que a suspensão das trotinetes partilhadas representa o reconhecimento do falhanço da política de regulação e fiscalização do presidente da autarquia, Carlos Moedas (PSD).
A reação dos socialistas surge na sequência do anúncio feito na quinta-feira por Carlos Moedas de que pretende suspender o sistema de trotinetes partilhadas na capital, proposta que deverá ser discutida na reunião da Câmara Municipal da próxima quarta-feira.
Em comunicado, os vereadores do PS criticam a sucessão de decisões do autarca, que em 2023 anunciou um acordo com os operadores para resolver os problemas de estacionamento e circulação destes veículos e que, posteriormente, reforçou as regras e incentivou a sua utilização
"Em janeiro de 2023, Carlos Moedas assinou um acordo com os operadores de mobilidade suave para acabar com o estacionamento abusivo, limitar a velocidade e controlar o número de trotinetes em circulação. Na ocasião, garantiu que se tratava de um acordo sólido e que permite resolver o problema e permite resolver o problema e que estava a elaborar um Regulamento de Mobilidade Suave Partilhada, que ainda não se conhece", referem.
Os vereadores socialistas salientam ainda que, há cerca de um ano, o município voltou a reforçar as regras de circulação e estacionamento e integrou as trotinetes no passe Navegante, oferecendo 200 minutos gratuitos por mês aos residentes em Lisboa.
"Em menos de quatro anos, passou de anunciar que tinha resolvido o problema a incentivar a utilização das trotinetes e, finalmente, a propor a sua suspensão. Esta sucessão de decisões revela, mais uma vez, a sua atuação errática e, sobretudo, o falhanço de uma política que o próprio presidente da Câmara concebeu, anunciou e apresentou como solução para os problemas da cidade", criticam.
O PS ressalva que a suspensão não deve afastar a responsabilidade política pela gestão do sistema desde o primeiro mandato de Carlos Moedas.
"A suspensão agora anunciada não pode servir para apagar a responsabilidade de quem, ainda no seu primeiro mandato, garantiu que tinha encontrado solução. É o reconhecimento de que a sua governação falhou", apontam os autarcas socialistas, defendendo a necessidade de "um reforço e investimento sério e urgente" na rede de bicicletas partilhadas Gira.
Os vereadores socialistas referem ainda que tiveram conhecimento de que a proposta de suspensão das trotinetes será submetida à reunião da Câmara Municipal de Lisboa da próxima quarta-feira através da comunicação social, aguardando conhecer o conteúdo e fundamentação antes de se pronunciar sobre a medida concreta.
Num vídeo publicado na rede social X, na quinta-feira, Carlos Moedas anunciou que o sistema de trotinetes partilhadas ia ser suspenso na capital, referindo vários problemas com a circulação deste veículo.
O autarca afirmou que o município recolhe mais de mil trotinetes por mês devido ao estacionamento irregular e que o número de remoções aumentou 40% entre 2024 e 2026.
Entretanto, o Automóvel Clube de Portugal (ACP) anunciou ter recolhido cerca de 20 mil assinaturas válidas para uma iniciativa popular que propõe a realização de um referendo municipal sobre a continuidade das trotinetes elétricas partilhadas em Lisboa.
A entrega das assinaturas na Assembleia Municipal de Lisboa está prevista para segunda-feira.
A recolha de assinaturas arrancou no início de agosto junto dos sócios do ACP e foi posteriormente alargada às ruas da cidade, com pontos de recolha em diferentes locais de Lisboa.
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