PS diz que não há nenhuma declaração que mostre disponibilidade para negociar lei laboral
Posição do partido surge depois de Luís Montenegro ter afirmado que recebeu a disponibilidade do Chega para negociar a legislação laboral e disse acreditar que esta abertura também existe do lado do PS.
O PS assinalou esta quarta-feira que não há nenhuma declaração do secretário-geral socialista de onde se possa inferir que existe disponibilidade para negociar a legislação laboral, adiantou à Lusa fonte da direção do partido.
Esta posição do partido surge depois de o primeiro-ministro, Luís Montenegro, ter afirmado hoje que recebeu a disponibilidade do Chega para negociar a legislação laboral e disse acreditar que esta abertura também existe do lado do PS, que confirmará "pessoalmente quando tiver essa oportunidade".
"Até hoje não houve nenhuma conversa do secretário-geral do PS com o primeiro-ministro sobre o tema nem nenhuma declaração do líder do PS de onde se possa inferir essa disponibilidade", referiu fonte da direção do PS à Lusa.
Depois de ter estado hoje à tarde reunido em São Bento com o presidente do Chega, André Ventura, Luís Montenegro afirmou aos jornalistas ter, "neste momento, a disponibilidade de um dos maiores partidos da oposição" para debater a proposta de lei que o Governo aprovará na quinta-feira em Conselho de Ministros e seguirá depois para o Parlamento.
"E também tenho a auscultação que fiz de uma declaração do secretário-geral do PS - que confirmarei pessoalmente quando tiver essa oportunidade - de igual disponibilidade. Se assim for, se os dois maiores partidos da oposição estiverem, como aparentemente parece que estão, disponíveis, nós teremos de passar à fase seguinte, que é a de verificação, ponto por ponto, dos pontos de contacto", afirmou.
Em breves declarações à comunicação social depois da tomada de posse do novo presidente da Confederação do Comércio e Serviços de Portugal (CCP), Luís Montenegro já não respondeu à pergunta se o encontro com o líder do PS, José Luís Carneiro, já está marcado.
Hoje de manhã, ainda antes de se saber que o Governo já vai aprovar esta proposta de lei, o líder do PS disse que ainda não tinha havido conversações com o PSD sobre o tema e defendeu ser "preciso que o Governo saiba o que quer fazer agora".
"Nós temos alguma falta de leis? Nós aprovámos uma lei em 2023. Então estamos a falar do quê? Da agenda de quem? Não é da agenda do Partido Socialista. A agenda do Partido Socialista é formação, qualificação, educação da população adulta, compatibilização do ensino profissional com a articulação com o ensino superior, politécnico e universitário", respondeu, perante a insistência dos jornalistas.
No domingo, o secretário-geral do PS afirmou que o Governo "perdeu a credibilidade" durante a negociação do reforma laboral e que o "caminho adequado" seria o executivo levar ao parlamento uma proposta que contemple as alterações já acordadas em sede de concertação.
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