PS/Gaia responsabiliza autarca Luís Filipe Menezes após saída de diretor por alegada licenciatura falsa
Paulo Ferreira do Amaral foi exonerado do cargo de diretor municipal de Habitação, após uma denúncia anónima que dava conta de uma alegada falta licenciatura, que o próprio nega.
O PS/Gaia responsabilizou o presidente da autarquia, Luís Filipe Menezes (PSD/CDS-PP/IL) pelos "casos" na estrutura da Habitação no concelho, após a revista Sábado ter noticiado esta terça-feira a saída de um diretor por alegada licenciatura falsa.
"O Partido Socialista de Vila Nova de Gaia responsabiliza politicamente o Presidente da Câmara Municipal, Luís Filipe Menezes, pelos casos que atingem a Estrutura Municipal de Habitação. Após a saída, ao fim de apenas dois meses de mandato, do vice-presidente e responsável pelo pelouro da Habitação, Álvaro Santos, cessou funções há dias o Diretor Municipal da Habitação, Paulo Ferreira do Amaral, por alegada falsa licenciatura", pode ler-se num comunicado enviado esta terça-feira à Lusa.
Paulo Ferreira do Amaral, segundo a revista Sábado, foi exonerado do cargo de diretor municipal de Habitação, para o qual estava nomeado em regime de substituição, após uma denúncia anónima que dava conta de uma alegada falta licenciatura, que o próprio nega.
"Importa recordar que ambos foram apresentados como colaboradores de confiança pessoal e política de Luís Filipe Menezes. Álvaro Santos foi apresentado durante a campanha eleitoral como o grande especialista em Habitação, mas permaneceu apenas dois meses em funções. Já Paulo Ferreira do Amaral foi adjunto nomeado pelo Presidente da Câmara, tendo inclusivamente representado o município em diversos eventos oficiais", diz o PS/Gaia.
Para a estrutura liderada pelo vereador João Paulo Correia, "para além de nada ter sido feito para cumprir a promessa das 4.000 habitações, o presidente da Câmara criou uma estrutura municipal para a Habitação que colapsou ao fim de apenas nove meses".
"O PS considera que Luís Filipe Menezes não pode demitir-se das suas responsabilidades políticas. Quem escolheu, apresentou e confiou nestes responsáveis foi o próprio Presidente da Câmara, sendo por isso legítimo exigir-lhe explicações claras aos gaienses sobre o funcionamento da Estrutura Municipal de Habitação e sobre o futuro da política municipal de habitação em Vila Nova de Gaia", apontam.
À Sábado, a autarquia referiu que no dia 26 de junho Luís Filipe Menezes "tomou conhecimento de uma denúncia anónima na qual eram suscitadas dúvidas quanto à autenticidade das habilitações académicas apresentadas pelo referido dirigente [Paulo Ferreira do Amaral], designadamente no que respeita à efetiva conclusão da licenciatura constante do seu processo individual", tendo a autarquia contactado o Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar e a Universidade do Porto e pedido a "confirmação da autenticidade e conformidade da documentação apresentada" e recebido uma resposta negativa.
A câmara "ficou perante um facto novo, objetivo e superveniente, impondo-se a adoção imediata das diligências legalmente exigíveis", tendo mandado suspender "de imediato" a nomeação do dirigente, que disse à revista ter ido à Universidade do Porto "verificar o que aconteceu", garantindo que fez os "os últimos exames para a licenciatura ao abrigo da lei militar" em 1984 e que "houve um incêndio na faculdade e alguns registos não estavam lá".
O ex-diretor considerou que "o assunto está resolvido" e garantiu que iria apresentar à Câmara a documentação necessária, mas não voltando às funções anteriores.
À Lusa, fonte oficial da Câmara disse, sem especificar, que "já foi nomeado um novo diretor municipal de Habitação". Questionada sobre a criação de uma nova empresa municipal de habitação, referida na notícia da Sábado, referiu que "já existe (Gaiurb) há 12 anos".
A Lusa pediu esclarecimentos adicionais à autarquia e uma reação ao comunicado do PS e aguarda resposta.
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