PS quer escolher juiz, mas Governo não exclui Chega
Carneiro exige indicar um de três nomes. Montenegro diz que vontade popular mudou e é desafiado por Ventura a usar maioria de direita.
A nomeação pelo parlamento de três juízes para o Tribunal Constitucional marcou, esta quarta-feira, a agenda política: foi assunto na receção do Presidente da República aos partidos, foi tema discutido no plenário e, depois disso, num encontro entre os líderes do Governo e do PS, que exige escolher um dos nomes.
“Não excluiremos ninguém que tenha a representação da vontade popular para que o equilíbrio seja alcançado”, afirmou o primeiro-ministro, no debate quinzenal, onde lembrou que os votos dos portugueses ditaram uma distribuição de forças que “não é a mesma hoje que há cinco, dez ou vinte anos”. Luís Montenegro frisou ainda que “o Estado não é de ninguém” e que não tem “nenhuma pretensão de substituir a presença ou omnipresença de alguém pela de alguém diferente”.
O chefe do Executivo respondia ao desafio do presidente do Chega, que o instou a usar “a maioria política de direita”. “É o momento de assumirmos o resultado das últimas eleições e fazer a limpeza de que o País precisa”, disse André Ventura.
O secretário-geral do PS tinha já considerado que “seria inaceitável” que o partido fosse afastado por “uma maioria de direita, coligada com a extrema-direita”. “Eu pergunto: caberia na cabeça de alguém nós tirarmos o PSD do Tribunal Constitucional?”, questionou José Luís Carneiro, que, de manhã, foi recebido pelo Presidente da República. Pelos sociais-democratas, António José Seguro ouviu Leonor Beleza. As audiências incluíram também a Iniciativa Liberal (Mariana Leitão) e o Livre (Isabel Mendes Lopes), prosseguindo esta quinta-feira com as restantes forças políticas.
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