PS quer IVA zero na alimentação e corte para 13% nos combustíveis
Carneiro defende ainda a duplicação do consumo de energia tributada a 6% e a isenção de ISP sobre o gasóleo agrícola.
O secretário-geral do PS defendeu esta sexta-feira o regresso do IVA a 0% na compra de produtos alimentares essenciais e a redução deste imposto, de 23% para 13%, nos combustíveis e gás. “As medidas que o Governo toma são insuficientes e chegam sempre tarde às pessoas”, considerou José Luís Carneiro, que, para conter a escalada de preços com o conflito no Médio Oriente, quer ainda a duplicação do consumo de energia tributada a 6% e a isenção de ISP sobre o gasóleo para a agricultura. E alertou: “A melhor resposta aos extremistas é a resolver dos problemas concretos das pessoas”, afirmou, apontando falhas nas áreas da habitação, da saúde e do trabalho. Declarações na abertura do 25º congresso do Partido Socialista que para Carneiro foi o primeiro enquanto líder.
O discurso, no pavilhão multiúsos de Viseu, começou com cerca de uma hora de atraso, por volta das 21h00. A sala foi se compondo, mas não passou do meio-gás. “Há cerca de oito meses assumi a liderança do PS num contexto muito difícil, em que muitos questionavam o nosso futuro [...] Afinal, estamos bem vivos”, argumentou, lembrando os resultados positivos nas autárquicas e nas presidenciais. Às vozes dissonantes disse que “um partido que quer governar o País tem de começar por saber unir-se a si próprio”. Numa altura em que decorrem negociações para as eleições dos órgãos externos à Assembleia da República, avisou o primeiro-ministro que “se escolher a via moderada, que os portugueses ainda recentemente disseram querer, receberá sentido de responsabilidade e abertura”, mas que se este “escolher ventos, terá tempestades”. Concretizando, prometeu “um rotundo ‘não’”, se Luís Montenegro “tentar desfigurar os equilíbrios do nosso sistema democrático, começando por tentar desequilibrar o Tribunal Constitucional”.
Carneiro falou depois de uma das intervenções mais duras da noite. A líder dos Socialistas e Democratas no Parlamento Europeu qualificou Montenegro como “um primeiro-ministro sem credibilidade na Europa, sem iniciativa, sem voz”. “Em vez de liderar ajoelha-se à extrema-direita e cedeu ao seu discurso. A história é clara: quem copia a extrema-direita acaba devorado por ela”, avisou a socialista Iratxe García Pérez.
E TAMBÉM
Honra ex-líder
Os antigos líderes do PS Pedro Nuno Santos, Ferro Rodrigues e Vítor Constâncio, o presidente honorário, Manuel Alegre, e os ex-ministros Alexandra Leitão, Fernando Medina e António Vitorino integram a comissão de honra do congresso. Maria Antónia Palla, mãe de António Costa, também faz parte.
Crítica interna
O deputado Miguel Costa Matos encabeça uma moção em que pede que o PS saia de “cima do muro do ‘nim’” e “sacuda a imagem de parceiro do Governo”.
Corte
Viseu foi o concelho escolhido para a reunião magna, após a conquista da câmara ao PSD, o que obrigou a reduzir o número de delegados para cerca de metade, de cerca de 1400 para 700. Este corte pela metade motivou críticas internas.
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