PT abre guerra política

Costa ataca operadora e Passos diz que Governo não pode fazer admoestações públicas a empresas.

15 de julho de 2017 às 10:31
Greve geral dos trabalhadores da PT está marcada para dia 21 Foto: Tiago Petinga / Lusa
Patrick Drahi é presidente da Altice Foto: Reuters
António Costa Foto: António Cotrim/Lusa
Passos Coelho Foto: Mário Cruz/Lusa

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"Por mim, já fiz a minha escolha da companhia que utilizo." A posição crítica face à PT, depois das falhas em Pedrógão Grande, foi assumida por António Costa em pleno debate do Estado da Nação. Mas as ondas de choque políticas continuam. Passos Coelho diz que "nunca tinha ouvido um primeiro-ministro atirar-se assim publicamente a uma empresa" e o Bloco de Esquerda acusa a Altice, dona da operadora, de "fraude". E entre as polémicas, os trabalhadores da PT marcaram greve geral para o dia 21.

Numa altura em que a PT entra como arma de arremesso na política nacional, a resposta da Altice é sobretudo económica: avança para a compra da Media Capital, que detém a TVI.

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António Costa atacou a PT pelas falhas de comunicações móveis registadas na rede desta operadora durante o incêndio em Pedrógão Grande, a 17 de junho. "Espero que a autoridade reguladora [Anacom] olhe com atenção para o que aconteceu com as diferentes operadoras nestes incêndios", avisou.

O PSD sai em defesa da operadora e fala num péssimo sinal do Governo. "Não sei o que terá levado António Costa a, de certa forma, fazer uma admoestação pública a uma empresa", afirmou Passos Coelho, que quer acreditar que foi um "deslize".

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Mas se o PSD critica, o BE apoia Costa e ainda vai mais longe. A coordenadora bloquista, Catarina Martins, diz que a Altice está a tentar dobrar a lei para despedir. "O Governo disse, e bem, que a empresa não podia despedir utilizando a figura do despedimento coletivo, mas a Altice quer despedir os mesmos trabalhadores utilizando os mais variados subterfúgios legais", afirma. Para o BE, "isto chama-se fraude, chama-se dobrar a lei".

É neste cenário de plena guerra política que os trabalhadores da PT convocam o protesto. É a resposta dos sindicatos à transferência de 155 funcionários para subsidiárias do grupo, onde, findo um ano, perdem os direitos e regalias acumulados na PT.

O líder da PT Portugal, Paulo Neves, foi ao Parlamento afirmar aos deputados que rejeita "liminarmente qualquer acusação de assédio moral" e o dono do grupo, Patrick Drahi, disse ontem ao ‘Público’ que, "se António Costa tem queixas, não é com a Altice".

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Regulador vai analisar falhas da PT no incêndio  

Ao CM, a Anacom, que regula o setor, diz que "foram reportadas falhas de rede na sequência dos incêndios". "No quadro das suas competências, a Anacom está a acompanhar a evolução da situação e já solicitou informação adicional", garante.

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