Raimundo sugere que Governo está combinado com o Chega para rever Código do Trabalho

Paulo Raimundo descreveu a reunião de terça-feira na residência oficial do primeiro-ministro entre Luís Montenegro e André Ventura como "longas horas de encenação" .

17 de junho de 2026 às 16:38
Paulo Raimundo Foto: Miguel A. Lopes/Lusa
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Lisboa, 17 jun 2026 (Lusa) -- O secretário-geral do PCP, Paulo Raimundo, sugeriu esta quarta-feira que o Governo PSD/CDS-PP está combinado com o Chega para rever o Código do Trabalho, com medidas incluídas para depois fazer cair e encenação de negociações.

Em resposta ao secretário-geral do PCP, durante o debate quinzenal na Assembleia da República, o primeiro-ministro contrapôs que não sabe o Chega vai fazer, e disse que André Ventura "tem uma veia sindicalista que vai ao ponto de propor coisas que nem o Partido Comunista é capaz de propor".

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"Não lhe fica bem. Reconheça o papel, reconheça o contributo do Chega nesta questão", comentou Paulo Raimundo, a seguir.

Reiterando a sua oposição à proposta de lei do Governo de revisão do Código do Trabalho, o secretário-geral do PCP abriu a sua intervenção afirmando que o presidente do Chega está a disputar com o primeiro-ministro "o lugar de funcionário do mês das confederações patronais".

Paulo Raimundo descreveu a reunião de terça-feira na residência oficial do primeiro-ministro entre Luís Montenegro e André Ventura como "longas horas de encenação" e considerou que nem valia a pena estar a perguntar ao primeiro-ministro o que vai acontecer, porque o presidente do Chega já deixou claro.

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"Vai encontrar os subterfúgios, combinou consigo ou com alguém do seu Governo aquilo que estava previamente decidido que era para cair, para fazer umas bandeirinhas, e vai estar ao seu lado no pacote laboral, contra os trabalhadores", alegou, dirigindo-se para o primeiro-ministro.

Luís Montenegro contrapôs que não sabe o que vai fazer o partido liderado por André Ventura em relação à proposta do Governo, que vai ser discutida na quinta-feira e tem votação na generalidade agendada para sexta-feira: "Eu não sei mesmo, não sei".

O primeiro-ministro discordou do modo como Paulo Raimundo enquadrou o Chega nesta matéria, disse que André Ventura, "em muitas ocasiões, tem passado o Partido Comunista pela esquerda", e qualificou-o como "o mais socialista dos deputados do Chega" que até tem, por vezes, "um travo comunista".

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"O que é que junta o senhor deputado André Ventura ao senhor deputado Paulo Raimundo? É acharem que é possível fazer tudo e dar tudo a todos ao mesmo tempo", acrescentou o chefe do Governo.

O secretário-geral do PCP comentou que "não lhe fica bem" dizer isso "após tanto esforço do senhor deputado André Ventura" e comparou os dois a uma dupla que faz os outros deputados sentirem-se "uns paus de cabeleira".

Quanto à equiparação ente PCP e Chega, Paulo Raimundo reagiu: "Daqui há coerência, não há demagogia, nem há inverdades nem mentiras. Esta é uma grande diferença face, em particular, ao partido Chega".

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O primeiro-ministro apontou como objetivo das alterações à legislação laboral tornar a economia portuguesa "mais competitiva, mais produtiva" e sustentou que com "um mercado laboral mais dinâmico" haverá "mais oportunidades de emprego" e "melhores salários".

Paulo Raimundo retorquiu que não há "única medida do pacote laboral que justifique esse seu objetivo", que o Governo "quer é generalizar a precariedade" e "a instabilidade" e que "isso vai levar não ao aumento dos salários, mas sim à pressão sobre os salários".

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