Resgate da TAP força corte de pessoal e voos

Estado vai injetar 946 milhões até ao final do ano para evitar falência da companhia.

11 de junho de 2020 às 01:30
Álvaro Novo, secretário de Estado do Tesouro (à esq.) com o ministro Pedro Nuno Santos e João Nuno Mendes, representante do Governo na negociação com a UE Foto: Lusa
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O Governo admite a redução de pessoal, frotas e rotas na TAP com o plano de reestruturação a que a empresa está obrigada a apresentar para receber uma ajuda do Estado de 946 milhões de euros até ao final do ano, antecipou esta quarta-feira o ministro das Infraestruturas, Pedro Nuno Santos. "Sem intervenção pública, a TAP iria falir, assim será salva, mas reestruturada", acrescentou. Embora o governante não deseje uma "TAP pequena", confessa: "Não seria sério se tentasse passar a ideia de que podíamos fazer uma reestruturação sem ter consequências [para trabalhadores, frota e rotas]".

Se em seis meses a TAP conseguir reembolsar o Estado fica livre de qualquer reajustamento, mas esse cenário é muito "difícil", segundo o ainda secretário de Estado do Tesouro, Álvaro Novo. A única alternativa é apresentação de "um plano de reestruturação a 10 anos no mais curto prazo possível e que deverá ser aprovado pela Comissão Europeia no primeiro trimestre de 2021", esclarece João Nuno Mendes, representante do Governo nas negociações com a União Europeia.

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Para aceder ao financiamento, a TAP terá ainda de aceitar uma série condições, uma delas poderá passar pela reconversão da dívida dos acionistas privados ao Estado em capital da TAP com o consequente reforço da posição acionista do Governo. "Se o empréstimo é nosso ou garantido por nós, se ele não for reembolsado é convertido em capital (...) isso depois terá consequência no governo societário", afirmou Pedro Nuno Santos. Porém, o governante não fecha a porta a que outros privados entrem na TAP, como a Lufthansa, que já se mostrou interessada no negócio.

"Não barraremos a possibilidade de privados poderem também participar no esforço de capitalização da empresa. Isso diminuiria os encargos financeiros do Estado e nós não vemos isso com maus olhos".

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