Rui Rio e Assunção Cristas deixam Costa liderar até ao fim
Recuo da direita dá margem ao primeiro-ministro para levar o Governo em frente.
O PSD e o CDS-PP recuaram este domingo na reposição integral da carreira dos professores, atirando o fim da crise política para as mãos do próprio PS. Para isso, a direita coloca uma condição: que a recuperação respeite o equilíbrio das contas do País.
Rui Rio e Assunção Cristas querem que a cláusula de "salvaguarda financeira", contra a qual o PS votou na Comissão de Educação, faça parte do diploma final que será votado até 15 de maio no Parlamento. Colocam-se então três cenários. E, em dois deles, António Costa sai ‘vencedor’.
O PS vota a favor dessa cláusula e o diploma segue em frente. Nesse caso, o primeiro-ministro pode avançar com a demissão porque a lei foi aprovada ou alegar que, tendo havido uma alteração ao texto inicial e eliminados os receios em relação ao impacto nas contas públicas, se mantém no cargo até ao fim da legislatura.
Já caso o PS vote contra a proposta de alteração, PSD e CDS-PP mudam também a intenção de voto e deixam cair a reposição de mais de nove anos de carreiras dos professores. Neste caso, o fim da crise política é certo, com Costa a levar a sua avante. Contudo, diz Rio, será revelada a "hipocrisia" socialista.
Depois de dois dias de reflexão, Rui Rio quebrou o silêncio numa declaração sem direito a perguntas, em que acusou o Governo de levar a cabo uma "encenação com fraco sentido de Estado" e ainda de mentir sobre os números.
Caso o diploma seja chumbado na votação final global, o líder do PSD assume, no programa eleitoral das legislativas, este "compromisso" de repor as carreiras dos professores, justificando que há "diversas formas" para o fazer.
Já de manhã, em comunicado, Cristas reconhecia que os centristas só votariam a favor do diploma se fossem aceites as condições do partido, que faz depender a reposição do próprio crescimento económico.
Marques Mendes diz que Costa é o "grande vencedor"
O antigo líder do PSD acredita que esta "foi talvez a melhor prestação política de António Costa desde que é primeiro-ministro" e reconhece-lhe inteligência. "Costa estava à defesa e encontrou uma oportunidade para passar ao ataque", rematou.
Primeiro-ministro insiste no chumbo de "erro" da oposição
Costa não referiu, contudo, se este chumbo terá lugar mesmo com a "salvaguarda financeira" proposta pela direita. Costa acusou PSD e CDS-PP de propor "uma mão-cheia de nada para os professores e uma conta calada para os portugueses pagar" e exige-lhes que "emendem o erro".
PORMENORES
Cedências e calculismo
O PCP acusou este domingo a direita de ter cedido ao "ultimato do Governo" sobre a proposta de contagem total do tempo de serviço dos professores e de convergir com o PS por "meros critérios de calculismo".
Estabilidade em causa
A coordenadora do BE, Catarina Martins, considerou que o primeiro-ministro pôs "em causa a estabilidade" do País porque as Europeias "estavam a correr mal" e desafiou o PS a manter o acordo e não se aliar à direita.
Crise artificial
O secretário-geral da Fenprof, Mário Nogueira, acusou este domingo o PS de ter criado uma crise artificial no País a propósito da aprovação na Assembleia da República da contabilização de todo o tempo de serviço dos professores.
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