“Santana Lopes estava a deixar o país à deriva”
Jorge Sampaio sublinha que hoje voltaria a lançar ‘bomba atómica’.
Jorge Sampaio abriu o livro: "Fartei-me do Santana [Lopes] como primeiro–ministro, estava a deixar o país à deriva." É assim que o antigo Presidente da República Jorge Sampaio lembra o período entre 2004 e 2005, quando empossou Santana Lopes para São Bento e dissolveu o Parlamento cinco meses depois. A revelação surge no segundo volume de ‘Jorge Sampaio - Uma biografia’, de José Pedro Castanheira, que será lançado dia 20 deste mês.
Sobre este período controverso na política nacional, que deu lugar à ‘bomba atómica’, Sampaio diz ainda que "hoje faria o mesmo". "De vez em quando é preciso dar voz ao povo." O verão de 2004 é, de resto, descrito como uma tortura para Sampaio. Durão Barroso, então primeiro-ministro, foi para a Comissão Europeia e exigiu que Santana fosse o sucessor.
Sampaio tentou, ainda que debaixo de "ameaças" de Barroso, convencer Manuela Ferreira Leite, Marques Mendes e Marcelo Rebelo de Sousa a avançar, sem sucesso. A decisão de nomear Santana custou-lhe o afastamento de colaboradores e amigos. "Tive que lidar com uma quase revolta", lembra. E responde à tese de que tudo foi arquitetado em Belém: "É completamente mentira."
Ao CM, Santana Lopes recusou fazer comentários.
Na biografia, é revelado também que a demissão de Armando Vara do governo de Guterres, em 2000, foi proposta do primeiro-ministro e não exigência de Sampaio, que presidiu entre 1996 e 2006.
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