"Se fosse uma marcha trans abria telejornais": Paulo Núncio condena ataque em marcha pró-vida e ataca os media

Líder parlamentar do CDS-PP repudiou o incidente deste sábado em Lisboa e criticou a falta de destaque "político e mediático". Governo associou-se à nota de protesto.

23 de março de 2026 às 11:38
Paulo Núncio condena ataque em marcha pró-vida e ataca media Foto: António Pedro Santos/Lusa
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O líder parlamentar do CDS-PP condenou o ataque com um cocktail molotov na Marcha Pela Vida deste sábado em Lisboa, deixando ainda críticas à cobertura do evento por parte da comunicação social. Em declarações na abertura das jornadas parlamentares do partido, que arrancam esta segunda-feira, Paulo Núncio questionou o porquê de o incidente não ter, no seu entender, tido a devida cobertura mediática.

"Porque razão este ataque não teve o destaque devido no meio político e mediático? Porque não morreu ninguém? Porque o criminoso não atingiu os objetivos? Ou será porque este extremismo veio da extrema esquerda?", atirou o líder da bancada centrista, teorizando ainda que, se a situação fosse outra, teria sido tratada de maneira diferente.

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"Se [acontecesse] numa marcha trans, há três dias que estas notícias abriam os telejornais", afirmou, sobre o ataque ocorrido este sábado.

O incidente, em frente à Assembleia da República, viu um suspeito arremessar um cocktail molotov contra os manifestantes que se juntaram no local — entre os quais se encontravam famílias com crianças —, no final da marcha que este fim-de-semana levou à rua milhares de pessoas contra o direito ao aborto em vários pontos do país.

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O engenho não ardeu e não causou feridos, merecendo rapidamente a condenação de figuras da política e da sociedade civil, como foi caso do Ministro da Administração Interna e do Patriarca de Lisboa, Rui Valério. O suspeito foi detido no local pelas autoridades.

Em resposta, além das declarações de Paulo Núncio, o CDS emitiu um voto de condenação pelo ato que vai ser discutido e votado no parlamento. "Este ataque extremista a famílias, crianças e bebés inocentes revela um ódio e um radicalismo político intolerável num Estado de Direito Democrático. Qualquer ato de violência política contra inocentes tem de ser veementemente condenado, venha de onde e de quem vier", pode ler-se.

A nota teve o apoio do Governo, que através do ministro dos Assuntos Parlamentares, Carlos Abreu Amorim, se associou ao protesto contra a "situação deplorável" ocorrida nas imediações da AR. "Nunca compactuaremos com estas situações e tudo faremos para que não se repitam", disse o ministro.

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