Seguro defende que "saúde mental não pode continuar a ser relegada para segundo plano"
Presidente da República afirma que a saúde mental tem de estar ao alcance de todos.
O Presidente da República defendeu, este sábado, que a saúde mental não pode continuar "relegada para segundo plano" e tem de estar ao alcance de todos, nos estabelecimentos de saúde, escolas e locais de trabalho, com aposta na prevenção.
Numa mensagem publicada no sítio oficial da Presidência da República na Internet, para assinalar o Dia Mundial da Saúde Mental, António José Seguro alerta que "são dramáticas, a todos os níveis, as consequências das falhas de uma política de saúde mental" e qualifica a situação como "um drama para muitas famílias" e "um drama para Portugal".
O chefe de Estado afirma que é preciso "colocar a saúde mental ao alcance de todos e apostar, essencialmente, na prevenção" e que a prestação de cuidados tem de "estar perto das pessoas: nos estabelecimentos de saúde, nas escolas, nos locais de trabalho e na comunidade".
"Esta é uma obrigação de todos. De cada um de nós no âmbito familiar ou laboral; dos especialistas da área da saúde mental; e do Estado, que deve dar a devida atenção a um domínio frequentemente menosprezado. A saúde mental não pode continuar a ser relegada para segundo plano", acrescenta.
António José Seguro realça que, "em Portugal, mais de um quinto da população sofre de algum tipo de perturbação psiquiátrica, o que nos coloca entre os países com a mais elevada prevalência de doenças psiquiátricas da Europa" e diz que "urge reverter" esta situação e que isso "requer um esforço coletivo".
No início desta mensagem, o Presidente da República enquadra a saúde mental como "um direito humano universal" e não "um luxo, nem um assunto apenas privado", mas "parte da saúde de cada um e da saúde do país".
Depois, refere que o lema "Dar voz às experiências vividas: vozes reais, mudanças reais", escolhido pela Federação Mundial para a Saúde Mental para este ano, constitui um apelo para que "quem vive o sofrimento psicológico na primeira pessoa possa ser ouvido" e para que "dessa escuta resulte a mudança".
O chefe de Estado dirige uma "palavra de saudação e reconhecimento pelo trabalho de profissionais e voluntários da área da saúde mental, que ouvem, fazem a diferença, mudam vidas", que "prestam cuidados, emprestam o seu ombro amigo, oferecem o seu tempo, capacitam, apoiam as famílias e, com a sua ação, combatem o isolamento social e o estigma".
António José Seguro considera que é importante atuar nesta área ao longo da vida: "Na primeira infância, quando se formam os alicerces do desenvolvimento; na adolescência e na juventude, tempo de construção da identidade; na vida adulta, perante exigências que nos põem à prova; e, mais tarde, junto daqueles que merecem ser acompanhados com dignidade e especial afeto".
Segundo o chefe de Estado, "é preciso agir igualmente sobre causas mais profundas, como a pobreza, a desigualdade, a violência e a solidão", a que se desafios atuais "como as alterações climáticas, a dimensão tecnológica do quotidiano e novas dependências".
"[A saúde mental] constrói-se também no dia a dia: dormir o suficiente, mexer o corpo, comer bem, ter tempo para os outros e para nós próprios. São hábitos simples, mas tantas vezes difíceis de adotar", aponta.
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