Algumas centenas de pessoas participaram no protesto e encheram de verde as ruas por onde passaram, como símbolo da esperança.
Mais voz nas decisões sobre saúde mental e acesso à habitação, educação e emprego foram algumas das reivindicações dos manifestantes que esta sexta-feira marcharam até junto à Assembleia da República, em Lisboa.
Promovido pela Federação Nacional de Entidades de Reabilitação de Doentes Mentais (FNERDM), no âmbito do manifesto "Pelo futuro das respostas comunitárias de suporte, reabilitação e inclusão em saúde mental", o protesto "Outdoor pela Saúde Mental 2026" começou com uma marcha cívica, que partiu do Jardim da Estrela e terminou junto ao parlamento, cerca das 13:30.
Algumas centenas de pessoas participaram no protesto e encheram de verde as ruas por onde passaram, com as camisolas que vestiam e os balões que transportavam, numa cor que simboliza a esperança.
Nas faixas que exibiam, deixaram algumas das suas reivindicações: “Não basta cuidar da doença. É preciso cuidar da vida que existe para além dela”, “Nada sobre nós, sem nós” e “Pertencer é viver na comunidade, numa casa”.
“Neste dia, o grito que nós damos nem é bem aos governos, nem aos governantes, é ao Estado português: olhem para estes cidadãos”, disse à Lusa o presidente da federação, Carlos Alves, no final do protesto, após uma reunião com a Comissão de Saúde da Assembleia da República.
O presidente da Associação para o Estudo e Integração Psicossocial (AEIPS), uma das organizações promotoras da iniciativa, defendeu que o Dia Mundial da Saúde Mental, que se assinala no sábado, é uma oportunidade para as pessoas participarem e fazerem ouvir a sua voz.
José Ornelas destacou o tema escolhido este ano pelas Nações Unidas, “Ouvir as experiências vividas: Vozes Reais, Mudança Real”, defendendo que não basta escutar os testemunhos das pessoas com doença mental, sendo necessário garantir-lhes participação na definição das políticas públicas.
“Não basta eles estarem na comunidade. Isso era uma fase anterior”, afirmou, considerando necessário transformar as experiências individuais em contributos para as decisões.
Segundo o responsável, apesar de a desinstitucionalização ter levado milhares de pessoas para a comunidade, o modelo de intervenção não mudou suficientemente, continuando a reproduzir práticas das instituições psiquiátricas.
Também Paulo Lopes, presidente da assembleia geral da associação Lidera Tu, defendeu que as pessoas devem poder liderar as próprias vidas nas áreas da habitação, educação e emprego, sem ficarem dependentes dos técnicos ou dos serviços de saúde.
Entre os obstáculos à inclusão, apontou as dificuldades de relacionamento e de contacto com outras pessoas, que podem afetar o percurso escolar e o acesso ao mercado de trabalho, bem como a falta de respeito pela diferença.
“O ativismo ajuda muito, tal como o emprego, tal como a educação, a participação em todas as áreas da sociedade”, afirmou, considerando que iniciativas como a marcha contribuem para o empoderamento das pessoas com experiência de doença mental.
Cristina D'Espiney, também da Lidera Tu, que fez questão de revelar ter um diagnóstico de doença mental, salientou a importância de passar da sobrevivência ao ativismo e de criar uma associação liderada pelas próprias pessoas, com o objetivo de chegar a todo o país e atuar com independência face aos técnicos de saúde mental.
A responsável alertou para o preconceito e os rótulos associados à doença mental, que, afirmou, levam muitas pessoas a serem consideradas incapazes ou ignorantes.
O presidente da FNERDM, que reúne 25 instituições responsáveis por prestar cuidados a cerca de 5.500 pessoas com experiência de doença mental em todo o país, disse ter transmitido à Comissão de Saúde “o que é necessário fazer e as posições legislativas que é necessário alterar” para melhorar a vida destas pessoas.
Carlos Alves apontou a portaria n.º 311/2021 como um dos entraves ao desenvolvimento das respostas, alegando que os requisitos previstos dificultam a implementação de residências e outras unidades, nomeadamente devido aos custos e à falta de recursos.
O responsável defendeu que as pessoas com experiência de doença mental têm o mesmo direito que os restantes cidadãos a expressar as suas necessidades e a participar na construção das soluções.
“Portugal tem conhecimento para ser um país avançado neste domínio, mas, na verdade, ainda está muito longe dos países da Europa e mesmo da vizinha Espanha”, lamentou.
Carlos Alves criticou ainda a fragmentação das responsabilidades entre a Segurança Social e os diferentes organismos da área da saúde, considerando que a falta de articulação dificulta a criação de políticas coordenadas que cheguem efetivamente às pessoas.
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt
o que achou desta notícia?
concordam consigo
A redação do CM irá fazer uma avaliação e remover o comentário caso não respeite as Regras desta Comunidade.
O seu comentário contem palavras ou expressões que não cumprem as regras definidas para este espaço. Por favor reescreva o seu comentário.
O CM relembra a proibição de comentários de cariz obsceno, ofensivo, difamatório gerador de responsabilidade civil ou de comentários com conteúdo comercial.
O Correio da Manhã incentiva todos os Leitores a interagirem através de comentários às notícias publicadas no seu site, de uma maneira respeitadora com o cumprimento dos princípios legais e constitucionais. Assim são totalmente ilegítimos comentários de cariz ofensivo e indevidos/inadequados. Promovemos o pluralismo, a ética, a independência, a liberdade, a democracia, a coragem, a inquietude e a proximidade.
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza expressamente o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes ou formatos actualmente existentes ou que venham a existir.
O propósito da Política de Comentários do Correio da Manhã é apoiar o leitor, oferecendo uma plataforma de debate, seguindo as seguintes regras:
Recomendações:
- Os comentários não são uma carta. Não devem ser utilizadas cortesias nem agradecimentos;
Sanções:
- Se algum leitor não respeitar as regras referidas anteriormente (pontos 1 a 11), está automaticamente sujeito às seguintes sanções:
- O Correio da Manhã tem o direito de bloquear ou remover a conta de qualquer utilizador, ou qualquer comentário, a seu exclusivo critério, sempre que este viole, de algum modo, as regras previstas na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, a Lei, a Constituição da República Portuguesa, ou que destabilize a comunidade;
- A existência de uma assinatura não justifica nem serve de fundamento para a quebra de alguma regra prevista na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, da Lei ou da Constituição da República Portuguesa, seguindo a sanção referida no ponto anterior;
- O Correio da Manhã reserva-se na disponibilidade de monitorizar ou pré-visualizar os comentários antes de serem publicados.
Se surgir alguma dúvida não hesite a contactar-nos internetgeral@medialivre.pt ou para 210 494 000
O Correio da Manhã oferece nos seus artigos um espaço de comentário, que considera essencial para reflexão, debate e livre veiculação de opiniões e ideias e apela aos Leitores que sigam as regras básicas de uma convivência sã e de respeito pelos outros, promovendo um ambiente de respeito e fair-play.
Só após a atenta leitura das regras abaixo e posterior aceitação expressa será possível efectuar comentários às notícias publicados no Correio da Manhã.
A possibilidade de efetuar comentários neste espaço está limitada a Leitores registados e Leitores assinantes do Correio da Manhã Premium (“Leitor”).
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes disponíveis.
O Leitor permanecerá o proprietário dos conteúdos que submeta ao Correio da Manhã e ao enviar tais conteúdos concede ao Correio da Manhã uma licença, gratuita, irrevogável, transmissível, exclusiva e perpétua para a utilização dos referidos conteúdos, em qualquer suporte ou formato atualmente existente no mercado ou que venha a surgir.
O Leitor obriga-se a garantir que os conteúdos que submete nos espaços de comentários do Correio da Manhã não são obscenos, ofensivos ou geradores de responsabilidade civil ou criminal e não violam o direito de propriedade intelectual de terceiros. O Leitor compromete-se, nomeadamente, a não utilizar os espaços de comentários do Correio da Manhã para: (i) fins comerciais, nomeadamente, difundindo mensagens publicitárias nos comentários ou em outros espaços, fora daqueles especificamente destinados à publicidade contratada nos termos adequados; (ii) difundir conteúdos de ódio, racismo, xenofobia ou discriminação ou que, de um modo geral, incentivem a violência ou a prática de atos ilícitos; (iii) difundir conteúdos que, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, tenham como objetivo, finalidade, resultado, consequência ou intenção, humilhar, denegrir ou atingir o bom-nome e reputação de terceiros.
O Leitor reconhece expressamente que é exclusivamente responsável pelo pagamento de quaisquer coimas, custas, encargos, multas, penalizações, indemnizações ou outros montantes que advenham da publicação dos seus comentários nos espaços de comentários do Correio da Manhã.
O Leitor reconhece que o Correio da Manhã não está obrigado a monitorizar, editar ou pré-visualizar os conteúdos ou comentários que são partilhados pelos Leitores nos seus espaços de comentário. No entanto, a redação do Correio da Manhã, reserva-se o direito de fazer uma pré-avaliação e não publicar comentários que não respeitem as presentes Regras.
Todos os comentários ou conteúdos que venham a ser partilhados pelo Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã constituem a opinião exclusiva e única do seu autor, que só a este vincula e não refletem a opinião ou posição do Correio da Manhã ou de terceiros. O facto de um conteúdo ter sido difundido por um Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã não pressupõe, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, que o Correio da Manhã teve qualquer conhecimento prévio do mesmo e muito menos que concorde, valide ou suporte o seu conteúdo.
ComportamentoO Correio da Manhã pode, em caso de violação das presentes Regras, suspender por tempo determinado, indeterminado ou mesmo proibir permanentemente a possibilidade de comentar, independentemente de ser assinante do Correio da Manhã Premium ou da sua classificação.
O Correio da Manhã reserva-se ao direito de apagar de imediato e sem qualquer aviso ou notificação prévia os comentários dos Leitores que não cumpram estas regras.
O Correio da Manhã ocultará de forma automática todos os comentários uma semana após a publicação dos mesmos.
Para usar esta funcionalidade deverá efetuar login.
Caso não esteja registado no site do Correio da Manhã, efetue o seu registo gratuito.
Escrever um comentário no CM é um convite ao respeito mútuo e à civilidade. Nunca censuramos posições políticas, mas somos inflexiveis com quaisquer agressões. Conheça as
Inicie sessão ou registe-se para comentar.