Seguro "muito atento" às rendas "pela hora da morte" que salários não conseguem pagar

Declarações foram concretizadas no último dia da Presidência Aberta dedicada às regiões mais afetadas pelo mau tempo.

10 de abril de 2026 às 13:08
António Seguro Foto: José Coelho/Lusa_EPA
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O Presidente da República, António José Seguro, disse esta sexta-feira estar "muito atento" ao problema da habitação já que os salários dos portugueses não chegam para pagar "as rendas que estão pela hora da morte" ou para comprar uma casa.

No último dia da Presidência Aberta dedicada às regiões mais afetadas pelo mau tempo, o chefe de Estado visitou casas modulares na freguesia de Pousos, Leiria, onde a câmara realojou provisoriamente pessoas que ficaram sem as suas casas na sequência da tempestade Kristin.

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"Estou também atento, muito atento a essa situação, porque de facto os salários não chegam para pagar as rendas exorbitantes que existem ou para comprar uma casa", respondeu a Ana Comenda, uma das moradoras que lhe contava a dificuldade, para lá do problema do mau tempo, em encontrar uma casa que conseguisse pagar.

O Presidente da República perguntou-lhe se trabalhava e a moradora explicou que estava desempregada, mas a fazer "uma formação para nível 4, para que possa também encontrar um emprego que corresponda àquilo que é necessário".

"E para ter também um salário que seja possível também pagar uma renda, porque as rendas estão pela hora da morte", atirou Seguro.

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Ana Comenda transmitiu ao chefe de Estado a necessidade de ser revista a "questão da habitação em Portugal".

"Sei bem. Aliás, recentemente, na última intervenção que fiz na Assembleia da República, chamei precisamente a atenção para essa situação", recordou.

O Presidente da República referia-se ao seu discurso, a semana passada, na sessão no parlamento para celebrar os 50 anos da Constituição.

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"Está por cumprir, e tem de ser concretizado, um dos mais nobres princípios constitucionais: o de uma sociedade justa e solidária", advertiu.

Segundo o chefe de Estado, "todos os meses surgem novos sinais de alerta sobre o acesso à habitação", setor no qual se estão "a bater recordes históricos nos custos" e com taxas de esforço no arrendamento que "esmagam o orçamento familiar".

"O Estado despertou tarde e é lento nas respostas. Sejamos honestos, para termos crédito na esperança que devemos aos nossos jovens são urgentes respostas e resultados concretos", apelou.

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No parque habitacional nos Pousos, a Câmara Municipal de Leiria instalou seis casas modulares e uma lavandaria, onde vivem atualmente 18 pessoas.

No total, esta autarquia tem 56 pessoas a viverem em 21 habitações modulares, distribuídas pelos Pousos, Colmeias, Maceira, Souto da Carpalhosa, Amor e Bidoeira de Cima.

Já no centro da cidade de Leiria, no Mercado Municipal, o Presidente da República reuniu-se depois com familiares das vítimas do mau tempo.

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Só no concelho de Leiria, a tempestade Kristin causou a morte a seis pessoas e deixou 775 feridas, num total de 2.863 ocorrências.

Estes números estão plasmados numa exposição sobre a tempestade, instalada no Jardim Luís de Camões, onde o Chefe de Estado teve a oportunidade de ver várias fotografias sobre os danos causados neste concelho, onde 344 pessoas ficaram desalojadas e 94 mil clientes ficaram sem eletricidade.

Nesta ocasião, António José Seguro revisitou algumas fotografias que tinha tirado com o seu telemóvel, na primeira vez em que esteve no terreno, sozinho e sem comunicação social, ainda antes de ter sido eleito Presidente da República, durante o período da campanha.

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Ainda na cidade de Leiria, o chefe de Estado tem um encontro com empresários da região.

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