Ventura diz que falou com Montenegro sobre eleições nos órgãos externos e havia acordo

Primeiro-ministro e o secretário-geral do PS reuniram-se na quarta-feira ao final da tarde para discutir o impasse nas eleições para os órgãos externos do Parlamento.

19 de março de 2026 às 11:20
André Ventura Foto: Tiago Petinga/Lusa_EPA
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O líder do Chega, André Ventura, disse esta quinta-feira que "já tinha falado" com o primeiro-ministro, Luís Montenegro, sobre o impasse nas eleições dos órgãos externos e que "há dias" existia um acordo em relação à indicação dos candidatos.

"Eu já tinha falado com o primeiro-ministro sobre este tema, quer dizer, não há acordos sem que os líderes dos partidos falem. Aliás, o que tínhamos há uns dias era um acordo, que só não se levou avante por incompreensão, teimosia e casmurrice do Partido Socialista", disse.

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O presidente do Chega falava aos jornalistas no Palácio de Belém, em Lisboa, após ser recebido pelo Presidente da República, António José Seguro.

André Ventura disse que "havia um acordo até à última hora".

"O Partido Socialista desmente isto. Eu tenho todas as indicações para levar a sério, neste caso, a palavra que nos foi transmitida, quer pelo primeiro-ministro, quer pelo PSD, de que foi isto que aconteceu. De que, inclusivamente, o Dr. José Luís Carneiro não quer ir na lista do Conselho de Estado conjunta porque vai atrás de mim na lista", referiu, indicando que, "se for mesmo importante para o Dr. José Luís Carneiro, mete-se o nome dele à frente".

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O primeiro-ministro, Luís Montenegro, e o secretário-geral do PS, José Luís Carneiro, reuniram-se na quarta-feira ao final da tarde para discutir o impasse nas eleições para os órgãos externos do parlamento.

Nenhum dos dois falou aos jornalistas mas, mais tarde, em entrevista à SIC, José Luís Carneiro disse que foi uma "conversa franca e clara", mas "não foi conclusiva".

Em relação à indicação dos juízes do Tribunal Constitucional, uma das exigências do PS, Ventura disse que não abdica de indicar um dos candidatos.

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O líder do Chega referiu que este é "um órgão, que sendo jurisdicional, tem uma natureza política" e questionou "porque raio é que num órgão de natureza política, num país em que dois terços estão à direita, tem cinco ou seis juízes indicados pelo PS".

Considerando que o Palácio Ratton "tem que expressar a interpretação também da maioria" em matérias como controlo da imigração, eutanásia ou aumento de penas, defendeu que "se a direita abdicar disso, está sempre a fazer o jogo do Partido Socialista e da esquerda".

"Se não for possível com o PS, lamento. Porque o consenso no parlamento, nestes órgãos, devia prevalecer. Se o PS insistir que tem que mandar em tudo, que tem que ter gente em todo o lado, que tem que condicionar tudo, terá que ser feito de outra forma, provavelmente com a Iniciativa Liberal", argumentou.

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André Ventura considerou "vergonhoso" que as instituições estejam "bloqueadas e paralisadas" por os partidos não se entenderem e defendeu que o "desbloqueio tem que partir do PS".

"O PS não percebeu que as coisas mudaram e não pode continuar a ter a perceção e a pretensão de preencher, de mandar e de controlar o país inteiro e todos os órgãos de soberania", referiu.

À saída da audiência com António José Seguro, o presidente do Chega disse que um dos temas abordados foram "os consensos necessários para aprovar determinadas reformas" e considerou que "tem existido, da parte do Governo, esta dificuldade em relação ao parlamento e em relação ao Chega, de estabelecer pontes que sejam sérias e de não se fazer apenas fingimento ou de não se fazer apenas uma aparência de negociação, quando, na verdade, não se quer fazer nada".

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Ventura considerou que "parece ser uma estratégia deliberada do Governo para estar num exercício permanente de vitimização".

Um dos exemplos apontados por André Ventura foi a reforma laboral, dizendo que o Governo não contactou o Chega na sequência da abertura que o partido manifestou para negociar este dossiê.

"Aconteça o que acontecer, o Governo mostrou mais uma vez que não sabe negociar, que não quer gerar consenso e que está, na verdade, sempre à procura da primeira coisa para um exercício de vitimização", criticou.

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