Da lista de bens fazem parte quatro prédios urbanos, no valor de 4 milhões de euros, o Colégio Moderno e contas num total de um milhão.
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Os filhos de Mário Soares, João Soares, 69 anos, e Isabel Soares, 68, herdaram um património avaliado em cerca de 17 milhões de euros.
Da herança do fundador do PS, que morreu há dois anos e não deixou testamento, fazem parte uma casa no Algarve, no Vau, uma moradia de Nafarros, Sintra, dois prédios no Campo Grande, em Lisboa (com uma área total de 867 m2) e quatro terrenos agrícolas.
A avaliação dos prédios urbanos, de acordo com o mercado imobiliário, ascende a quatro milhões de euros. Só os imóveis no Campo Grande poderão valer mais de três milhões de euros, segundo a ‘Sábado’. Num vivia o casal e no outro vive Isabel Soares.
Os herdeiros não têm pressa na partilha dos bens. Em janeiro de 2017 foi feita a habilitação legal de herdeiros, mas ainda não se definiu que parcela das casas, terrenos e negócios cabe a cada herdeiro. A filha do antigo presidente da República deverá ficar com a casa no Algarve e João Soares com a de Sintra.
Quanto à do Campo Grande - a mais valiosa do ponto de vista patrimonial - é vista pelos beneficiários como uma casa de família.
Da lista de bens consta ainda o Colégio Moderno, em Lisboa, a joia da coroa da família. Fundado em 1936 pelo pai de Mário Soares, é uma referência no ensino. Emprega 268 pessoas e faturou quase 11 milhões de euros em 2017.
Tem ativos de mais de 16 milhões de euros e um capital próprio de 12,5 milhões. Isabel Soares sucedeu à mãe, Maria Barroso, na direção. A filha de Soares conta com o apoio da sobrinha Mafalda, médica, na gestão do colégio. A quota de 60% de Mário Soares está intocada e, em última instância, ficará para os cinco netos.
Para além dos imóveis, há registo de um depósito bancário de cerca de um milhão de euros, que já terá sido divido pelos irmãos. Foras destas contas, está a Fundação Mário Soares, cujo património não reverte para a família.
Futuro da Fundação nas mãos dos filhos
Sem o fundador para ajudar e com uma situação financeira difícil, cabe agora aos herdeiros definir o futuro da Fundação Mário Soares. Com um capital próprio de quase três milhões de euros, a instituição obteve um prejuízo de 389 mil euros em 2017.
Os gastos com os 19 funcionários ascendem a 360 mil euros. No relatório e contas de 2017, citado pela ‘Sábado’, a fundação admite dificuldades e "a diminuição das receitas, quer de contribuições regulares quer esporádicas".
Mário Soares cobrava pelas conferências internacionais entre 40 a 50 mil euros. O dinheiro era canalizado para a fundação. Soares não estabeleceu qualquer plano para a fundação e a sustentabilidade do projeto é uma incógnita. Atualmente, está tudo nas mãos do conselho de administração e da filha, Isabel, que é vice-presidente.
Sucessor de Soares ainda por escolher
O presidente da fundação é ainda Mário Soares, pois não foi eleito nenhum substituto. A filha Isabel pode estatutariamente substituir o presidente em todos os atos de gestão. João Soares não comenta, mas muitos apontam que seria o sucessor óbvio. A porta ainda não está fechada.
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