António José Seguro afirmou que "recuar não é opção" e pediu "mais união, mais ambição e mais coragem política" à União Europeia.
O Presidente da República defendeu esta quinta-feira que a União Europeia tem de reformar o seu modelo de governação, tornando-o "mais eficiente e mais rápido", e deve "ambicionar liderar a inovação mundial".
Num discurso na cerimónia comemorativa do 50.º aniversário do Instituto Universitário Europeu, em Florença, Itália, António José Seguro afirmou que "recuar não é opção" e pediu "mais união, mais ambição e mais coragem política" à União Europeia, reiterando a sua posição pelo fim da regra da unanimidade em domínios estratégicos.
"Em vez de minorias de bloqueio, precisamos de maiorias com ambição, lideranças que pensem em Europa para além dos egoísmos imediatos dos Estados-membros que representam. A Europa avançou com líderes que ousaram pensar além do imediato. É esse o espírito que precisamos de recuperar", declarou o chefe de Estado, numa intervenção à qual assistiu o presidente do Conselho Europeu e anterior primeiro-ministro português, António Costa.
Antes, enquanto discursava a presidente do Instituto Universitário Europeu, Patrizia Nanz, os dois antigos secretários-gerais do PS, que no passado se defrontaram no âmbito partidário, estiveram à conversa, sentados na primeira fila do auditório. António Costa mudou-se até temporariamente para o lugar de Patrizia Nanz, para ficar mais perto de António José Seguro.
Em matéria de segurança e defesa, o Presidente da República propôs que a União Europeia reforce a sua "autonomia estratégica", com "mais coordenação, melhores investimentos e uma visão verdadeiramente comum", procurando "economias de escala" e optando por "comprar europeu".
"A guerra da Ucrânia foi o primeiro grande acelerador. A Europa percebeu que a Rússia é uma ameaça real e não pode continuar dependente dos Estados Unidos [da América]. Para assegurar a sua segurança e defesa, precisa de uma capacidade de defesa autónoma, credível e articulada, com os seus aliados tradicionais", disse.
O chefe de Estado referiu que "mais de dois terços" das compras em defesa "são efetuadas fora da Europa e que mais de metade são a um único país: os Estados Unidos da América".
"A autonomia estratégica que preconizo não é anti-atlantismo", ressalvou, contrapondo: "É responsabilidade, sem cortar nenhum diálogo, sem desfazer nenhuma aliança. Devemos manter a NATO, mas numa relação de aliados que cooperam em pé de igualdade, sem dramatismos, mas com muita lucidez, reconhecendo que as prioridades mudam, mas os valores não. E os valores são democracia, paz e direitos humanos".
António José Seguro, a União Europeia "deve ambicionar liderar a inovação mundial" e apostar na "criação da autonomia tecnológica europeia com duplo uso, na defesa e na economia, na segurança e na sociedade".
O chefe de Estado alertou que "a Europa está a perder terreno para os Estados Unidos e para a China nas tecnologias de futuro".
"Precisamos de um verdadeiro mercado digital, de uma união de mercados de capital funcional, de investimento em investigação e inovação à escala do desafio que enfrentamos. A produtividade europeia está a ser ultrapassada exatamente onde o século XXI se decide: no digital, na inteligência artificial, nos semicondutores e na tecnologia quântica", prosseguiu.
"Estamos diante de um desafio fundacional, pois sem base produtiva não há forma de manter um dos pilares da nossa identidade que é expressa no modelo social europeu. Sem capacidade tecnológica, não há autonomia estratégica", considerou.
O chefe de Estado defendeu também "uma política energética comum, que seja capaz de diversificar fontes, de acelerar as energias renováveis e limpas, garantindo que nenhum Estado-membro fica refém de quem usa a energia como instrumento de coação política".
"Do mesmo modo, a Europa não pode ficar refém do egoísmo imediato de alguns dos Estados-membros neste capítulo", acrescentou.
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