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Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

Direita recusa proposta do PS para criar comissão na Assembleia Municipal de Lisboa sobre acidente no elevador da Glória

Socialistas apontam que ideia é "conhecer de modo integrado o que só vai transparecendo na comunicação social", sobre a indemnização às vitimas e suas famílias, sobre os inquéritos interno e externo anunciados pela Carris ou sobre a manutenção dos elétricos.

26 de maio de 2026 às 19:50

PSD, CDS-PP, IL e Chega na Assembleia Municipal de Lisboa (AML) rejeitaram esta terça-feira proposta do PS de criação de uma comissão eventual sobre o acidente do elevador da Glória, há mais de nove meses, que provocou 16 mortes.

O resultado era previsível, dado que os grupos municipais de PSD, CDS-PP, IL e Chega tinham indicado à Lusa o voto contra, no início de março, o que se confirmou na reunião desta terça-feira da AML, mesmo com os votos favoráveis das restantes forças políticas, uma vez que existe uma maioria de direita, com 38 eleitos no total de 75 deputados.

Na apresentação da proposta, o socialista Miguel Coelho referiu que a ideia não é procurar culpados, nem que a AML se substitua à investigação judicial, mas sim "conhecer de modo integrado o que só vai transparecendo na comunicação social", sobre a indemnização às vitimas e suas famílias, sobre os inquéritos interno e externo anunciados pela Carris ou sobre a manutenção dos elétricos.

Contudo, para o PSD "as vítimas não precisam de uma disputa partidária em torno da sua dor", considerando que "há uma diferença enorme entre escrutínio e encenação".

"Esta proposta, nos termos em que está formulada, cria um instrumento excessivo, politicamente ambíguo e potencialmente sobreposto aos inquéritos e auditorias em curso", referiu a social-democrata Liliana Fidalgo.

No mesmo sentido, Francisco Camacho, do CDS-PP, considerou que a proposta "só acrescenta ruído" e que a comissão "estaria mais perto de produzir manchetes do que produzir verdade", devendo, por isso, a AML aguardar as conclusões das diligências em curso.

Para a IL, a proposta não cumpre o propósito de apurar responsabilidades, "nem no tempo, nem no modo", porque a AML "não tem, nem deve ter" os poderes jurídicos de uma comissão parlamentar de inquérito, acusando o PS de populismo e aproveitamento político.

Já o deputado Rui Cruz, do Chega, apontou o dedo à governação de Fernando Medina (PS), que exercia funções em 2018, quando ocorreu um outro acidente com o elevador da Glória, sem vítimas, e do qual, disse, não resultou um relatório nem apuramento de responsabilidades.

"A transparência socialista aparece quando serve para pressionar adversários, mas desaparece quando obriga a questionar a sua própria governação", acusou, acrescentando que "talvez 2025 não tivesse acontecido se 2018 tivesse sido convenientemente investigado".

Em resposta, o PS acusou o Chega de fazer agora um "grande discurso moralista sobre o tempo, sobre o populismo, sobre a vontade de fazer política", depois de em 05 de setembro, dois dias após o acidente, ter apresentado uma moção de censura ao executivo de Carlos Moedas.

"Os partidos que apoiam o executivo, na ânsia de procurarem aqui salvaguardar qualquer coisa que não sei o que é, dizem logo que queremos fazer aproveitamento político. Não, não queremos, mas queremos tirar ilações políticas, claro que sim", afirmou Miguel Coelho.

Em 03 de março, seis meses após o descarrilamento, o PS propôs a constituição de uma comissão eventual para acompanhamento e esclarecimento do acidente, defendendo que a AML, enquanto órgão fiscalizador da atividade do executivo camarário, "tem o dever de assegurar que todas as entidades envolvidas são ouvidas e que as responsabilidades, diretas ou indiretas, são devidamente apuradas".

O elevador da Glória, muito procurado por turistas no centro de Lisboa, descarrilou no dia 03 de setembro, com uma das duas cabinas a embater violentamente contra um edifício, provocando 16 mortes e mais de 20 feridos, entre portugueses e estrangeiros de várias nacionalidades.

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