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A estratégia do silêncio

A estratégia de silêncio que está a ser preparada entre alguns dos arguidos do caso do ‘saco azul’ de Felgueiras colocará em causa a acusação do Ministério Público durante o julgamento. Daí terem sido anexas ao processo informações nesse sentido, contidas num ofício confidencial da Polícia Judiciária de Braga.

16 de outubro de 2005 às 00:00

Segundo noticiou ontem o ‘Expresso’, tem havido contactos entre pessoas próximas da autarca e dos ex-colaboradores, Horácio Costa e Joaquim Freitas, a fim de o silêncio dos denunciantes ilibar a autarca, no julgamento, marcado para dia 31 deste mês.

As fontes da PJ, citadas pelo semanário, acusam Sandra Felgueiras, jornalista da RTP, de ter alegadamente participado na preparação da operação de ‘marketing’, a fim de ver ilibada a sua mãe, nomeadamente propondo a Joquim Freitas uma entrevista, numa televisão não identificada, na qual o entrevistado desmentiria as anteriores declarações. Horácio Reis, líder do movimento independente que apoiou Fátima Felgueiras, é outro dos presumíveis implicados, assim como o marido da autarca, Sousa Oliveira.

O pacto de silêncio entre as partes, avançado pelo CM, nas edições de 9 e 10 de Setembro, enquanto a autarca se encontrava ainda no Rio de Janeiro, não deixa de aproveitar a Horácio Costa e a Joaquim Freitas, porque depois de quatro anos de colaboração com a PJ, passaram de testemunhas para arguidos, por decisão do Ministério Público (MP) de Guimarães.

Esta posição do MP terá sido o ‘princípio do fim’ para o êxito do julgamento, porque já se sabia que Costa e Freitas, caso mantivessem a sua colaboração com a Justiça, a partir aí, estariam a ‘enterrar-se’ e a contribuir assim para as próprias condenações. Por outro lado, têm a ganhar com a eventual absolvição de Fátima Felgueiras, já que a autarca regressou à presidência da Câmara Municipal de Felgueiras. Os dois inspectores da PJ de Braga que investigaram o processo, Henrique Correia e Carlos Alves, já têm alertado para outras situações, entre as quais as circunstâncias sobre a fuga da autarca para o Brasil.

O volte-face passou a ser claro no processo a partir da instrução – fase que medeia a acusação e o julgamento – quando já arguido, Joaquim Freitas esteve calado ao longo de todo o debate instrutório e sabe--se que só têm valor probatório as declarações no julgamento ou se tiverem sido prestadas a um juiz, em fase anterior, mas neste caso só para serem contraditadas no caso de um arguido fazer declarações de teor diferente, durante a audiência, refere o Código de Processo Penal.

RTP NÃO COMENTA OFÍCIO DA PJ

O alegado envolvimento da jornalista da RTP Sandra Felgueiras, na apresentação de uma proposta de entrevista televisiva aos denunciantes do caso ‘saco azul’, no qual a sua mãe Fátima é protagonista, não mereceu qualquer comentário por parte da direcção de informação da estação pública.

Desde o início do ‘processo’, diz fonte do canal, que Sandra Felgueiras se manteve sempre à margem do mesmo, tendo realizado o seu trabalho de forma normal, realizando inclusive reportagens na área da política. No entanto, nos assuntos directa ou indirectamente relacionados com a mãe, Sandra tem permanecido distante.

O CM tentou, até ao fecho desta edição, obter uma reacção do Sindicato dos Jornalistas, mas o presidente Alfredo Maia esteve incontactável.

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