José Luís Carneiro lamentou não ser possível um acordo para "construir do zero" uma nova lei das rendas.
Os líderes parlamentares da AD devolveram esta quinta-feira ao PS as acusações de intransigência em matéria de habitação, com o social-democrata Hugo Soares a acusar os socialistas de tentarem negar a realidade.
"É mais fácil dizer não do que trabalhar numa solução", afirmou o presidente da bancada do PSD, no final de uma reunião em São Bento com o primeiro-ministro, Luís Montenegro, na qual estiveram também presentes os ministros das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento, e da Habitação, Miguel Pinto Luz.
Umas horas antes, no âmbito das mesmas reuniões, o secretário-geral do PS, José Luís Carneiro, tinha lamentado não ser possível um acordo para "construir do zero" uma nova lei das rendas nem sobre o conceito de renda moderado, tendo acusado Montenegro de intransigência.
"O que me parece é que um partido que coloca como condição de negociação retirar tudo o que foi feito até agora, demonstra esse sim, não diria uma intransigência, mas uma absoluta negação da realidade", respondeu Hugo Soares.
O dirigente do PSD defendeu que "o país não está à espera que se entre numa lógica de passa-culpas, que gera uma infantilidade na política que não é boa para ninguém".
Hugo Soares questionou se o PS, que foi Governo durante oito anos, "acha que está tudo bem e que nada deve ser mudado", voltando a salientar que o atual regime do arrendamento é da responsabilidade de executivos socialistas.
"Se o preço das rendas é demasiado alto com a atual lei, é necessário mudar a lei. O Governo leva ao parlamento uma proposta de lei que tem como objetivo diminuir as rendas e o Governo e os partidos que suportam essa maioria no parlamento disponibilizam-se para negociar", disse.
E acrescentou: "Não somos nós que estamos a dizer que não há negociação. Ora, se não somos nós que estamos a dizer que não há negociação, não somos nós, julgo eu, que estamos a ser intransigentes", disse.
Antes, também o líder parlamentar do CDS-PP, Paulo Núncio, tinha devolvido as acusações ao PS.
"O PS não obstante ter vindo à reunião, não obstante ter discutido as propostas, mostrou no final uma enorme intransigência no sentido de criar obstáculos quase intransponíveis para se poder chegar a um acordo abrangente em matéria de habitação", criticou.
Os dois líderes parlamentares da AD reiteraram "abertura total" para continuar a discutir no parlamento o regime jurídico do arrendamento na fase da especialidade com todos os partidos, a partir da proposta contida no pedido de autorização legislativa do Governo.
"Julgo que os portugueses não perdoarão aos políticos que não aproveitem o clima que está instalado na sociedade civil para discutirem, mas para encontrarem um chão comum numa legislação que possa visar baixar os preços da renda", defendeu Hugo Soares.
Já sobre as propostas entregues pelo líder do Chega ao primeiro-ministro, o líder parlamentar do PSD escusou-se a comentá-las, dizendo não as ter ouvido, já que entrou para a reunião com o Governo antes de André Ventura ter falado à comunicação social.
O primeiro-ministro recebeu hoje à tarde os líderes do Chega e do PS, respetivamente André Ventura e José Luís Carneiro, em São Bento, após semanas de protestos nas ruas contra o custo da habitação, e das denominadas acampadas em Lisboa e no Porto, que já originaram várias cargas policiais.
Na sexta-feira, seguem-se reuniões no parlamento com os restantes partidos (à exceção do JPP que será recebido na terça-feira) e os ministros das Infraestruturas e Habitação, Miguel Pinto Luz, de Estado e das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento, da Presidência, António Leitão Amaro, e dos Assuntos Parlamentares, Carlos Abreu Amorim.
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