Na mesma ocasião, o presidente do Chega anunciou que o partido entregará dez diplomas que classificou como "um dos maiores, senão o maior pacote anticorrupção em Portugal".
O presidente do Chega defendeu esta terça-feira que o Estado português não deve pagar qualquer indemnização a José Sócrates, mesmo que a tal seja condenado em última instância, assegurando que se for primeiro-ministro não o fará.
André Ventura falava em conferência de imprensa na sede do partido, depois de uma reunião com os deputados do Chega da Comissão de Assuntos Constitucionais a propósito da decisão judicial de condenar o Estado português a indemnizar o antigo primeiro-ministro José Sócrates em 15 mil euros "por má administração da justiça no processo Operação Marquês".
Na mesma ocasião, o presidente do Chega anunciou que o partido entregará dez diplomas que classificou como "um dos maiores, senão o maior pacote anticorrupção em Portugal" para que "não se repitam" casos como o que envolve o antigo primeiro-ministor.
Questionado se uma eventual decisão política de não cumprir uma determinação judicial não viola o princípio de separação de poderes, André Ventura considerou que "há momentos" em que a justiça se deve sobrepor à lei.
"Os tribunais aplicam a justiça em nome do povo, esse mesmo povo estará indignado com esta indemnização", disse.
Caso se esgotem todos os recursos, nacionais e internacionais, Ventura disse que, se for primeiro-ministro, dará instruções à administração pública para não pagar essa indemnização e, se for líder da oposição, exortará o Governo em funções a não o fazer.
Ventura começou por manifestar "a condenação e estupefação" do partido pela decisão de condenação do o Estado português a pagar uma indemnização -- de que o Ministério Público já recorreu -, exortando a que, num primeiro momento, sejam esgotados todos os recursos judiciais, deixando depois o que o próprio classificou como "um apelo pouco comum".
"O Estado português não deve pagar esta indemnização a José Sócrates. Isto é dinheiro dos contribuintes. Bem sei que é uma decisão judicial, mas há momentos na história dos povos e na história das sociedades em que a legitimidade, a dignidade política, humana e social também devem ser afirmadas", afirmou, considerando que, se tal for feito, o Estado estará a assumir "que a corrupção é um método legítimo de governação em Portugal".
Perante as perguntas dos jornalistas se tal não abre um precedente -- que permitiria também aos cidadãos não cumprir decisões judiciais -, o líder do Chega insistiu que "há momentos em que a justiça deve estar acima da lei", manifestando-se convicto de que a maioria do povo português concordaria.
"Se for o primeiro-ministro e se for responsável pela administração pública, darei indicações para que não se pague um cêntimo a um José Sócrates. Mesmo que o Tribunal Europeu determine que se deva pagar", afirmou.
Para que "não se repitam" casos como este, o presidente do Chega anunciou que o partido entregará, ainda hoje, no parlamento um conjunto de dez diplomas que classificou como "um pacote de reforma da justiça e anti-corrupção", alguns dos quais já entregues na anterior legislatura (e que caíram com a dissolução do parlamento).
"Se hoje temos um sistema em que é possível o que José Sócrates está a fazer à justiça é porque PS e PSD nunca quiseram alterar uma vírgula que fosse para que a justiça efetivamente funcionasse", acusou.
O líder do Chega detalhou que, neste "pacote anticorrupção e anti-impunidade", haverá um diploma para aumentar as penas para os crimes de corrupção e conexos e outro que "materialize em definitivo o crime de enriquecimento ilícito".
O Chega pretende ainda um estatuto especial para arrependidos que colaborem com a justiça, a proibição de concorrer a cargos públicos a quem seja condenado por corrupção e o aumento dos prazos de prescrição nos crimes de corrupção e conexos.
Aumentar o período de nojo entre o exercício de atividades públicas, acelerar a desburocratização da justiça são outras das propostas do partido e criar um gabinete anticorrupção em todas as câmaras municipais do país são objetivos de outros diplomas.
Ventura admitiu que este pacote já não poderá ser discutidos antes das férias parlamentares, apelando a que, pelo menos o PSD, "compreenda que já não há mais tempo" para manter a situação na área da justiça.
"Não temos a certeza toda. Talvez não estejamos 100% certos, mas pelo menos tem de se fazer alguma coisa. E alguma coisa tem de avançar", apelou.
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt
o que achou desta notícia?
concordam consigo
A redação do CM irá fazer uma avaliação e remover o comentário caso não respeite as Regras desta Comunidade.
O seu comentário contem palavras ou expressões que não cumprem as regras definidas para este espaço. Por favor reescreva o seu comentário.
O CM relembra a proibição de comentários de cariz obsceno, ofensivo, difamatório gerador de responsabilidade civil ou de comentários com conteúdo comercial.
O Correio da Manhã incentiva todos os Leitores a interagirem através de comentários às notícias publicadas no seu site, de uma maneira respeitadora com o cumprimento dos princípios legais e constitucionais. Assim são totalmente ilegítimos comentários de cariz ofensivo e indevidos/inadequados. Promovemos o pluralismo, a ética, a independência, a liberdade, a democracia, a coragem, a inquietude e a proximidade.
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza expressamente o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes ou formatos actualmente existentes ou que venham a existir.
O propósito da Política de Comentários do Correio da Manhã é apoiar o leitor, oferecendo uma plataforma de debate, seguindo as seguintes regras:
Recomendações:
- Os comentários não são uma carta. Não devem ser utilizadas cortesias nem agradecimentos;
Sanções:
- Se algum leitor não respeitar as regras referidas anteriormente (pontos 1 a 11), está automaticamente sujeito às seguintes sanções:
- O Correio da Manhã tem o direito de bloquear ou remover a conta de qualquer utilizador, ou qualquer comentário, a seu exclusivo critério, sempre que este viole, de algum modo, as regras previstas na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, a Lei, a Constituição da República Portuguesa, ou que destabilize a comunidade;
- A existência de uma assinatura não justifica nem serve de fundamento para a quebra de alguma regra prevista na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, da Lei ou da Constituição da República Portuguesa, seguindo a sanção referida no ponto anterior;
- O Correio da Manhã reserva-se na disponibilidade de monitorizar ou pré-visualizar os comentários antes de serem publicados.
Se surgir alguma dúvida não hesite a contactar-nos internetgeral@medialivre.pt ou para 210 494 000
O Correio da Manhã oferece nos seus artigos um espaço de comentário, que considera essencial para reflexão, debate e livre veiculação de opiniões e ideias e apela aos Leitores que sigam as regras básicas de uma convivência sã e de respeito pelos outros, promovendo um ambiente de respeito e fair-play.
Só após a atenta leitura das regras abaixo e posterior aceitação expressa será possível efectuar comentários às notícias publicados no Correio da Manhã.
A possibilidade de efetuar comentários neste espaço está limitada a Leitores registados e Leitores assinantes do Correio da Manhã Premium (“Leitor”).
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes disponíveis.
O Leitor permanecerá o proprietário dos conteúdos que submeta ao Correio da Manhã e ao enviar tais conteúdos concede ao Correio da Manhã uma licença, gratuita, irrevogável, transmissível, exclusiva e perpétua para a utilização dos referidos conteúdos, em qualquer suporte ou formato atualmente existente no mercado ou que venha a surgir.
O Leitor obriga-se a garantir que os conteúdos que submete nos espaços de comentários do Correio da Manhã não são obscenos, ofensivos ou geradores de responsabilidade civil ou criminal e não violam o direito de propriedade intelectual de terceiros. O Leitor compromete-se, nomeadamente, a não utilizar os espaços de comentários do Correio da Manhã para: (i) fins comerciais, nomeadamente, difundindo mensagens publicitárias nos comentários ou em outros espaços, fora daqueles especificamente destinados à publicidade contratada nos termos adequados; (ii) difundir conteúdos de ódio, racismo, xenofobia ou discriminação ou que, de um modo geral, incentivem a violência ou a prática de atos ilícitos; (iii) difundir conteúdos que, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, tenham como objetivo, finalidade, resultado, consequência ou intenção, humilhar, denegrir ou atingir o bom-nome e reputação de terceiros.
O Leitor reconhece expressamente que é exclusivamente responsável pelo pagamento de quaisquer coimas, custas, encargos, multas, penalizações, indemnizações ou outros montantes que advenham da publicação dos seus comentários nos espaços de comentários do Correio da Manhã.
O Leitor reconhece que o Correio da Manhã não está obrigado a monitorizar, editar ou pré-visualizar os conteúdos ou comentários que são partilhados pelos Leitores nos seus espaços de comentário. No entanto, a redação do Correio da Manhã, reserva-se o direito de fazer uma pré-avaliação e não publicar comentários que não respeitem as presentes Regras.
Todos os comentários ou conteúdos que venham a ser partilhados pelo Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã constituem a opinião exclusiva e única do seu autor, que só a este vincula e não refletem a opinião ou posição do Correio da Manhã ou de terceiros. O facto de um conteúdo ter sido difundido por um Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã não pressupõe, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, que o Correio da Manhã teve qualquer conhecimento prévio do mesmo e muito menos que concorde, valide ou suporte o seu conteúdo.
ComportamentoO Correio da Manhã pode, em caso de violação das presentes Regras, suspender por tempo determinado, indeterminado ou mesmo proibir permanentemente a possibilidade de comentar, independentemente de ser assinante do Correio da Manhã Premium ou da sua classificação.
O Correio da Manhã reserva-se ao direito de apagar de imediato e sem qualquer aviso ou notificação prévia os comentários dos Leitores que não cumpram estas regras.
O Correio da Manhã ocultará de forma automática todos os comentários uma semana após a publicação dos mesmos.
Para usar esta funcionalidade deverá efetuar login.
Caso não esteja registado no site do Correio da Manhã, efetue o seu registo gratuito.
Escrever um comentário no CM é um convite ao respeito mútuo e à civilidade. Nunca censuramos posições políticas, mas somos inflexiveis com quaisquer agressões. Conheça as
Inicie sessão ou registe-se para comentar.