Secretário-geral do PS diz que Bloco quer “voltar a ser partido de protesto”. Catarina Martins insiste em soluções e critica PS por ter falhado no reforço do SNS.
Não há mesmo volta a dar. O divórcio entre PS e BE está mais do que consumado e o secretário-geral do PS, António Costa, deixou a sua posição bem clara no debate desta terça-feira na RTP1 frente a Catarina Martins, coordenadora do BE: “Precisamos de uma solução de estabilidade que o Bloco não oferece, o Bloco quer voltar a ser partido de protesto.”
Ambos destilaram “fel”, acusando-se mutuamente de ter duas caras. Para o socialista, “há dois Blocos, o que aparece na campanha, que é muito mel, e o que está na Assembleia da República, que é cheio de fel”. “Foi mel dizer aos cuidadores informais que teriam 30 milhões em cada Orçamento, e depois veio o fel quando o Governo guardou na gaveta 98% do orçamento para os cuidadores”, ripostou a líder do BE.
Catarina criticou o PS por ter virado as costas ao SNS: “Não percebo resistência em promover a exclusividade dos médicos no SNS, uma proposta de António Arnaut. Preferiu fazer um braço de ferro, continuando o SNS a perder profissionais todos os dias.”
A líder do BE lembrou ainda que “funcionou o acordo em 2015 e que só não existiu em 2019 porque o PS não quis”. Costa retorquiu em tom assertivo: “Dei a cara em 2015, em 2019 quis continuar e, no momento mais grave que tínhamos para enfrentar, o BE fechou a porta a todos, no pico da pandemia quando ainda nem sequer havia vacinas, em outubro de 2020. Quem tomou a decisão de romper com PS, PCP e PEV, falhando no OE de 2021, foi o BE, que não teve atitude responsável e voltou a não ter este ano.”
Catarina avisou Costa que “não vai ter uma maioria absoluta”. Diante desse cenário, o líder socialista revelou que, nesse caso, não se demitirá: “Não faço chantagem, não sou o professor Cavaco.”
O recálculo das pensões antecipadas eliminando o fator de sustentabilidade e a “bravata ideológica com desprivatização da ANA, REN, EDP, Galp e CTT” são, para Costa, as principais divergências com o BE, uma vez que iriam custar milhões aos cofres do Estado, “minar a segurança social e abrir a porta à direita”. Catarina refuta, dizendo que, no caso das pensões, seria uma pequena percentagem de reformados. Quanto às nacionalizações seriam pagáveis com “o adicional ao IMI”. Ou “talvez o PS ache normal que seja o Estado chinês a mandar na energia em Portugal ou os CTT serem completamente destruídos”, rematou.
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