A Alta Autoridade para a Comunicação Social (AACS) vai alargar as audições no âmbito do proceso relativo a eventuais pressões dos poderes político e económico sobre os meios de Comunicação Social.
Depois de ao longo do dia de ontem terem sido ouvidos o presidente da PT, Miguel Horta e Costa (de manhã), o administrador da Lusomundo Media (LM), Luís Delgado, e a jornalista Clara Ferreira Alves (ambos de tarde em audiências sucessivas, à porta fechada) e de confirmadas futuras audições a Fernando Lima, o demitido director do ‘Diário de Notícias ’(‘DN’), e a Paes do Amaral, patrão da Media Capital, empresa detentora da TVI, a AACS revela hoje os nomes das outras pessoas a serem ouvidas neste processo.
“Entre uma a três”, segundo adiantou ontem ao fim da tarde Artur Portela Filho, membro da AACS, recusando revelar os respectivos nomes, com a alegação de que as pessoas deveriam ser directamente informadas pela AACS e “não ficar a saber pela Comunicação Social”.
PRESSÕES POLÍTICAS NEGADAS
As três pessoas ontem ouvidas foram unânimes em desmentir a existência de interferência ou pressão por parte do Governo e em considerar uma coincidência o chamado caso Marcelo.
No caso das mudanças da direcção do ‘Diário de Notícias’, Horta e Costa admitiu apenas que o Governo acompanhou o processo “eventualmente à distância, pelos jornais”. Horta e Costa acrescentou que o “‘DN’ é propriedade da Lusomundo Media”, da qual é também presidente (esta empresa é propriedade da PT), pelo que a escolha da nova direcção coube exclusivamente à LM.
Horta e Costa aproveitou para anunciar que Miguel Coutinho e Raul Vaz, ambos provenientes do ‘Diário Económico’, são os novos director e director-adjunto do ‘DN’ (mais noticiário na pág. 51) e para explicar que a substituição de Henrique Granadeiro por Luís Delgado, na administração da LM, se deveu apenas a uma “clarificação” do lugar do primeiro no grupo. Já Luís Delgado insistiu que a mudança no ‘DN’ não se deveu a pressões políticas, mas “à situação difícil” por que passa o jornal (vendas e publicidade). Luís Delgado adiantou não ser objectivo da empresa mexer nas direcções dos outros órgãos do grupo e garantiu que “a carta de princípios” do ‘DN’, incluindo isenção e independência, se mantém em vigor.
Já Clara Ferreira Alves justificou a escusa com o facto de “estar a servir de arma de arremesso político” e de não possuir “perfil para dirigir um jornal”.
DECLARAÇÕES À SAÍDA
Miguel Horta e Costa, presidente da PT e da Lusomundo Media, proprietária do ‘DN’, negou interferências políticas e explicou a substituição da direcção do jornal com o momento difícil por que o jornal está a passar. “Era altura de abrir uma nova fase na vida de um jornal que queremos ver na posição cimeira que lhe cabe na vida nacional”.Horta e Costa
Luís Delgado garantiu que a mudança no ‘DN’ ficou a dever-se “à situação difícil do jornal” e não a “pressões”. Confrontado com o facto de ele próprio poder ser visto como um “comissário político”, Luís Delgado respondeu que “há 20 anos defendo as mesmas ideias”, recusando ser “condenado por delito de opinião”.Luís Delgado
Clara Ferreira Alves justificou a sua recusa com o facto de ter sido “usada como arma de arremesso político”, considerando que viu a sua “reputação na sarjeta”. Negando convite para “comissária política”, a jornalista descreve a direcção de um jornal como “cargo político”, para o qual “há pessoas mais habilitadas”.Clara Ferreira Alves
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