O presidente francês, Jacques Chirac, o chanceler alemão, Gerhard Schroeder, e os primeiros-ministros belga, Guy Verhofstadt, e luxemburguês, Jean-Claude Juncker, reuniram-se ontem, em Bruxelas, para discutir a Defesa europeia.
Os quatro líderes, que se opuseram à guerra contra o Iraque, querem que a União Europeia passe a ter um projecto credível em matéria de Defesa e para isso propõem a criação de uma Capacidade Europeia de Reacção Rápida e de um núcleo colectivo para a planificação e desenvolvimento de operações militares da UE. Tudo isto reafirmando a importância da NATO, mas indiscutivelmente ‘minando’ a parceria transatlântica no seio da Aliança.
Sob fortes críticas por terem decidido avançar com uma reunião que alguns já classificaram de “anti-americana”, os quatro líderes europeus fizeram questão de sublinhar a importância da NATO e das relações transatlânticas. Chirac frisou que “não se trata de pôr em causa a Aliança Atlântica”, e Schroeder acrescentou que “em causa está o reforço do pilar europeu na NATO”.
Entretanto Colin Powell minimizou o projecto uma vez que só estiveram presentes quatro países das muitas nações que compõem a União Europeia (UE)”. O secretário de estado norte-americano considerou errada a proposta de uma sede militar na UE à margem da NATO.
Mas, no contexto actual da declarada ‘rebeldia’ do eixo franco-alemão face a Washington e Londres, a mini- cimeira poderá ser entendida como uma tentativa de criar-se uma ‘outra NATO’. O ministro britânico da Defesa, Geoff Hoon, considerou ser ‘impossível que um pequeno número de países abra um caminho à-parte sem ter em conta o consenso (sobre a futura defesa europeia)’ e a chefe da diplomacia de Madrid, Ana Palácio, defendeu que a política europeia de Defesa se faz a Quinze. Refira-se que no texto da declaração final da reunião ficou decidido a criação de um ‘quartel-general’ com sede em Bruxelas para liderar operações no terreno nas quais a NATO não esteja envolvida.
Além disto, os quatro decidiram ainda criar uma autoridade europeia de transporte aéreo estratégico e propõem criar um dispositivo europeu de protecção contra armas nucleares, bacteriológicas e químicas encarregue de proteger tropas e civis no âmbito de operações europeias.
REACÇÕES PORTUGUESAS
GOVERNO
O ministro português dos Negócios Estrangeiros, Martins da Cruz, considerou a minicimeira como uma “contribuição positiva para a futura configuração europeia da Europa de Segurança e Defesa” e manifestou-se disponível para “analisar as propostas” apresentadas.
PS
O dirigente socialista Vitalino Canas considerou ontem que os resultados da reunião poderão ser positivos se contribuírem para uma política de defesa comum na UE. Para este político, está claro que “a voz da Europa só será ouvida se houver uma componente comum a nível militar".
PCP
Os comunistas manifestaram-se contra “um novo salto militarista na União Europeia”, considerando que a “arrogância dos EUA” não se combate tornando a UE num “bloco militar” mas sim defendendo o “desarmamento e a paz”. O PCP reagiu em comunicado emitido pela comissão política.
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