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Bastonário dos Dentistas pede reforço da saúde oral no OE2026

"Aquilo que temos neste momento é uma realidade dura", defendeu Miguel Pavão.

15 de outubro de 2025 às 16:57

O bastonário da Ordem dos Médicos Dentistas, Miguel Pavão, pediu esta quarta-feira à ministra da Saúde o reforço da saúde oral no Orçamento do Estado para 2026.

Em declarações à Lusa após um encontro com a ministra da Saúde, Ana Paula Martins, em Lisboa, Miguel Pavão considerou essencial assegurar verbas específicas para a saúde oral, com alocação robusta para os setores público, social e privado.

O bastonário pediu um reforço dos gabinetes de medicina dentária nos cuidados de saúde primários, assegurando a integração dos médicos dentistas no Sistema Nacional de Saúde.

"Aquilo que temos neste momento é uma realidade dura: gabinetes de medicina dentária recém-equipados, ao abrigo do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), que não estão a funcionar porque não há maneira de integrar os médicos dentistas devidamente", alertou.

Miguel Pavão defendeu a valorização da carreira como solução, referindo o exemplo da Madeira, onde os médicos dentistas têm carreira própria e estão integrados no sistema regional de saúde.

A ordem manifestou disponibilidade para colaborar no lançamento do Boletim Individual de Saúde Oral Eletrónico, previsto no programa de ação do Governo, e que já recebeu sinal verde dos Serviços Partilhados do Ministério da Saúde (SPMS), propondo também a reformulação do programa Cheque-Dentista, com novos cheques para reabilitação, prótese e traumatismo.

Segundo o bastonário, Ana Paula Martins manifestou a intenção do Governo de criar uma rede de clínicas de cuidados de saúde oral, lamentando, contudo, a ausência de detalhes sobre o modelo de funcionamento.

Reiterou que, sem um reforço orçamental claro, estas medidas não poderão ser concretizadas.

"Investir na saúde oral não é um custo, é, acima de tudo, uma escolha política inteligente e que traz retorno. Traz retorno pela prevenção, traz retorno pelo número de urgências, hospitalizações e diminuição de carga de doenças, como a diabetes e as doenças cardiovasculares. É isso que nós queremos: aumentar a qualidade de vida dos portugueses e que a saúde oral seja um direito", sublinhou.

Reafirmando a sua disponibilidade para colaborar com o Governo na construção de uma estratégia nacional inclusiva e sustentável, a OMD lembrou que mais de seis milhões de portugueses enfrentam problemas dentários.

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