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MICRONOVELA

Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

BE acusa direita de levantar medo sobre imigrição para que esta seja clandestina

Mariana Mortágua pediu melhorias no funcionamento da Agência para a Integração, Migrações e Asilo.

05 de março de 2024 às 14:42

A coordenadora do BE considerou esta terça-feira que, quando a direita levanta "medo e suspeitas" sobre a imigração necessária para Portugal, apenas quer "mais imigrantes clandestinos", pedindo melhorias no funcionamento da Agência para a Integração, Migrações e Asilo (AIMA).

Mariana Mortágua dedicou a manhã do seu 10.º dia de campanha a uma visita à Associação Solidariedade Imigrante, em Lisboa, onde falou com muitas pessoas que esperavam para ser atendidas e ouviu as queixas e as preocupações de uma instituição que diz substituir-se muitas vezes ao Estado e com poucos apoios.

"Por cada um euro que os imigrantes recebem, pagam sete à Segurança Social, são essenciais à economia portuguesa e quem vem levantar suspeitas, quem vem levantar medo sobre os imigrantes, na verdade, não é porque quer menos imigrantes, quer é mais imigrantes clandestinos", condenou.

Segundo a coordenadora bloquista, ouve-se "muitas vezes a direita falar sobre os perigos da imigração irregular", mas em "autarquias em que a direita governa, estão a ser criados entraves à regularização de imigrantes".

"A economia precisa destes imigrantes, eles estão aqui por causa da economia. Querem [a direita] imigrantes mais explorados, mais mal pagos, à mercê desta economia voraz e selvagem e nós não podemos aceitar isso, porque Portugal é um país que respeita toda a gente que trabalha e toda a gente nos procura", criticou.

Para Mariana Mortágua, o facto de ter deixado de ser o SEF a acolher estes imigrantes foi muito importante, mas Portugal "tem de melhorar essa capacidade administrativa para regularizar imigrantes e para poder garantir que toda a gente tem acesso a serviços públicos essenciais".

"O que é preciso fazer agora é garantir que a agência [AIMA] que está destinada ao acolhimento de imigrantes funciona e o que se viu até agora é uma enorme confusão", criticou.

De acordo com a líder bloquista, todo o processo de extinção do SEF e de criação da AIMA "deixou em atraso milhares de processos de regularização", o que "só contribui para a insegurança de vida destas pessoas".

"Nunca sabem como é que o amanhã, contribui para a exploração laboral, porque trabalhadores sem direitos e que não estão regularizados estão sempre muito mais sob ameaça de exploração e de abuso", lamentou.

Foi precisamente para denunciar esta situação que o BE quis fazer esta visita e deixar um alerta: "Portugal precisa de imigrantes, a economia precisa de imigrantes".

"Não há lares a funcionar, não há agricultura, não há construção, não há pescas, não há turismo sem imigrantes. Façamos o que está certo e o que está certo é acolher estas pessoas, acolher com direitos humanos", pediu.

Para Mariana Mortágua, este é "um tema incontornável" e no qual se tem "visto muita desinformação e muita mentira" contra as quais são precisas "posições fortes e inequívocas".

"Eu quero saudar, por isso, o papel da comunicação social, que foram os primeiros a dizer que não há um problema de insegurança em Portugal causado pela migração. Ter esta capacidade para informar as pessoas, para destruir mentiras, para destruir falsidades que são atiradas para o debate público é aquilo que nos permite ter um debate sério, honesto e elevado, informado sobre imigração", elogiou.

A líder do BE quer, após as eleições, abrir um debate "com todos os partidos que fazem uma maioria de esquerda" sobre direitos humanos e "como tratar todas as pessoas" que chegam a Portugal, dando-lhes direitos e deveres.

Mais de 10,8 milhões de portugueses são chamados a votar no domingo para eleger 230 deputados à Assembleia da República.

A estas eleições concorrem 18 forças políticas, 15 partidos e três coligações.

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