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Correio da Manhã

Política
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BE acusa PSD de tentar "enganar o país" com "plano de privatização do SNS"

Em causa estão as linhas gerais do documento "Uma política de Saúde para Portugal", que foram apresentadas na quinta-feira.
Lusa 14 de Setembro de 2018 às 16:48
Farmacêuticos
Serviço Nacional de Saúde
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O BE acusou esta sexta-feira o PSD de ter tentado "enganar o país" ao chamar de reforma a proposta que apresentou na quinta-feira para a saúde, considerando que se trata de "um plano de privatização do Serviço Nacional de Saúde".

"A proposta apresentada pelo PSD não representa grande surpresa, mas é a tentativa de um engano colossal aos portugueses e às portuguesas. Quando dizem que querem reformar a saúde, aquilo que propõe é privatizar porque senão não tinham feito a proposta que fizeram", condenou o deputado do BE Moisés Ferreira, em declarações à agência Lusa.

Em causa estão as linhas gerais do documento "Uma política de Saúde para Portugal", que foram apresentadas na quinta-feira.

No texto, o PSD defendeu a generalização da contratualização da gestão privada e social na saúde, considerando ser necessário "quebrar um tabu ideológico" de um modelo para "salvar e não eliminar" o Serviço Nacional de Saúde (SNS).

"O PSD tentou enganar o país, na verdade, de duas formas. Uma dizendo que havia uma quebra de tabu. Não há tabu nenhum. Toda a gente sabe que este é o grande sonho do PSD em privatizar o serviço nacional de saúde", contrapôs.

A "segunda tentativa de engano", detalhou o deputado bloquista, "é chamar a isto uma reforma".

"Não é reforma nenhuma, é um plano de privatização do SNS", acusou.

Para Moisés Ferreira, "isto é apenas aquilo que o PSD sonha para saúde, que é fazer dela negócio e entregá-la completamente aos privados". O deputado alertou que a sua concretização seria "muito perigosa para todas as pessoas neste país, para os utentes, para o próprio país".

"A proposta que o PSD coloca em cima da mesa é acabar com o SNS e transferir todo o dinheiro para o negócio privado do Grupo Mello, da Luz Saúde e outros que tais. Porque é que isto é perigoso? Porque, ao transferirmos os recursos para o setor privado, vamos ter cada vez menos setor público", sustentou.

Com mais recursos no privado, na visão do BE, haveria "menos capacidade de resposta na área da saúde".

"A proposta do PSD é uma proposta que ataca o SNS, que quer extinguir o SNS para que o orçamento do SNS seja transferido direitinho para a conta bancária do Grupo Mello e da Luz Saúde e ao atacar o SNS está a atacar todos os portugueses que usam o SNS e que sem SNS ficam acesso a vários cuidados e a várias prestações de cuidados de saúde", reiterou .

Moisés Ferreira fez questão de elencar aquilo que comprova que esta sempre foi a posição do PSD em relação à saúde.

"Em 1979 não votou a favor da criação do SNS, sabemos a tentativa que fez aquando de um Governo liderado por Pinto Balsemão de fazer uma revogação de vários artigos da lei que tinha criado o SNS, sabemos do papel do PSD na criação da atual Lei de Bases que fez uma transferência enorme dos recursos para o negócio privado, sabemos que ainda no último Governo de Passos Coelho tentaram, e conseguiram em alguns casos, entregar vários hospitais à gestão privada", recordou.
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