Fabian Figueiredo aponta problemas no Serviço Nacional de Saúde, no acesso à habitação e na regularização de imigrantes.
O líder parlamentar do BE acusou o Governo de adotar "medidas erradas" que apenas beneficiam uma "elite privilegiada do país", apontando problemas no Serviço Nacional de Saúde, no acesso à habitação e na regularização de imigrantes.
Em declarações à agência Lusa no âmbito do debate sobre o estado da nação, que decorre quarta-feira na Assembleia da República, o líder parlamentar do BE, Fabian Figueiredo, considerou que a "nação ficou muito mais fácil para a elite privilegiada do país" e que "há boas notícias para quem teve sempre acesso ao privilégio de sucessivos governos".
O bloquista criticou a descida do IRC anunciada pelo Governo minoritário PSD/CDS-PP e afirmou que o executivo quer "reintroduzir os benefícios para não residentes, para residentes não habituais", medida que classificou como "errada e promotora da especulação imobiliária".
"O Governo certamente defenderá as suas medidas, que nós entendemos que são erradas, na área da saúde, na área da economia, as prioridades de política orçamental", defendeu.
Na ótica do BE, por outro lado, "o estado da nação ficou mais difícil para os imigrantes, que viram o único mecanismo de regularização permanente, inovador, que era a manifestação de interesse, acabar" mas também para quem quer arrendar casa, nomeadamente os jovens.
"Ser jovem em Portugal significa ficar em casa dos pais ou ter que dividir casa. É muito difícil aos jovens portugueses emanciparem-se, trabalhando, é difícil terem casa própria. As medidas do Governo não resolvem o problema do custo do arrendamento, muito pelo contrário, promovem a alta de preços", criticou.
Fabian Figueiredo vê também problemas no acesso ao Serviço Nacional de Saúde (SNS), considerando que o programa apresentado pelo executivo "acelera o caminho" das privatizações e não resolve o encerramento das urgências.
"Mas felizmente a ação do Governo não esgota o estado da nação", afirmou, considerando que estes setores se têm mobilizado na opinião pública.
O BE pretende assumir-se como "a voz da alternativa" e, interrogado sobre as prioridades da bancada após a pausa dos trabalhos parlamentares, Fabian Figueiredo começou por priorizar a reforma da Justiça.
"Achamos que em Portugal tem que se debater a sério, com calma, com lucidez, de forma sóbria, os problemas da justiça", considerou, sublinhando a importância de garantir o acesso à justiça por todos os cidadãos e evitar "violações do segredo de justiça".
"Mas, sobretudo, garantir que quem vive e trabalha em Portugal tenha acesso à casa, que o salário garante uma vida digna", acrescentou.
Está agendado para esta quarta-feira o debate sobre o estado da nação, o primeiro desde que o executivo minoritário PSD/CDS-PP tomou posse, que contará com a presença do primeiro-ministro, Luís Montenegro, e do restante elenco governativo.
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