Chega anunciou esta quarta-feira que vai avançar com uma moção de censura ao Governo, na sequência das polémicas que envolvem o ministro da Administração Interna, Luís Neves.
O coordenador nacional do Bloco de Esquerda (BE) defendeu esta quarta-feira que a moção do Chega falha nos motivos pelos quais o Governo merece censura, apesar de admitir que "Luís Neves se tem tornado um agente de confusão".
"Essa moção de censura [a apresentar pelo Chega] não tem nada a ver com aquilo que é essencial censurar na política do Governo. Volto a dizer: é a subida do preço das casas, da conta do supermercado, dos combustíveis. É isso que merece censura, é isso que, na verdade, as pessoas censuram no seu dia-a-dia", defendeu José Manuel Pureza.
O Chega anunciou esta quarta-feira que vai avançar com uma moção de censura ao Governo, na sequência das polémicas que envolvem o ministro da Administração Interna, Luís Neves.
Em conferência de imprensa, que decorreu ao final da tarde de esta quarta-feira em Coimbra, o líder do BE considerou que o ministro da Administração Interna "não pode ser um agente de confusão", no entanto, entende que a moção de censura anunciada pelo Chega "não tem rigorosamente nada a ver" com as razões que justificam uma censura política ao Governo.
"Portugal tem um problema sério. Esse problema é o de os salários e as pensões chegarem cada vez menos ao fim do mês para pagar as contas da eletricidade, da casa ou do supermercado e, na verdade, André Ventura não censurou o Governo por causa disso", apontou.
Segundo o coordenador bloquista, o executivo liderado por Luís Montenegro "merece censura por ter deixado aumentar o preço das rendas e das prestações ao banco".
"O Governo merece censura porque a conta do supermercado é cada vez menos sustentável, o Governo merece censura pelo caos criado nos exames nacionais, o Governo merece censura porque não há professores. Mas André Ventura não censura o Governo por isso, Luís Montenegro agradece e as pessoas continuam com as contas por pagar", sustentou.
Questionado se considera que Luís Neves deve abandonar o cargo, José Manuel Pureza evidenciou que não pediu a sua demissão.
"O que disse é que não é de todo desejável para a democracia que haja um ministro, para mais com a pasta da Administração Interna, que tutela as forças e os serviços de segurança, que tem competências de enorme delicadeza para o país, que vai lançando confusão e que se vai tornando um agente de confusão", esclareceu, indicando ainda que o primeiro-ministro é, em última análise, o responsável pela manutenção de uma situação destas e "isso não pode acontecer".
Já sobre os mecanismos que poderiam conduzir à substituição do ministro da Administração Interna, o coordenador do BE respondeu que uma moção de censura pode ser um instrumento adequado para esse objetivo, tal como a chamada do governante ao parlamento para prestar esclarecimentos.
"Esta moção de censura é pura e simplesmente o instrumento de um campeonato entre o Chega e os outros partidos da direita. Um campeonato entre os partidos da direita e é saber quem é que é mais radical na direita", concluiu.
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