Presidente do Governo Regional dos Açores, considerou que o arquipélago está "a reforçar a sua dimensão geoestratégica, com valorização do seu património natural e de todo o seu território".
O presidente do Governo Regional dos Açores, José Manuel Bolieiro, defendeu esta segunda-feira que a região deve afirmar-se como "espaço político e social de estabilidade" e reiterou a importância geoestratégica do arquipélago para Portugal e a Europa.
"Num momento internacional marcado pela instabilidade, conflitos e incerteza, os Açores devem afirmar-se como referência contrária, e serem espaço político e social de estabilidade, de diálogo e de responsabilidade institucional", afirmou o líder do executivo regional (PSD/CDS-PP/PPM), durante a cerimónia do Dia dos Açores, no Teatro Micaelense, em Ponta Delgada.
A posição surge após José Manuel Bolieiro ter dito, a 28 de abril, que os acordos de coligação entre os três partidos vigoram até 2028 e que nas próximas regionais o PSD concorrerá sozinho, declarações que foram consideradas pelo CDS-PP/Terceira como "causadoras da instabilidade governativa", segundo um comunicado de 05 de maio.
Esta segunda-feira, Bolieiro considerou que os Açores "estão a reforçar a sua dimensão geoestratégica, com valorização do seu património natural e de todo o seu território" e alertou que Portugal e a União Europeia devem "reconhecer e potenciar" a localização do arquipélago.
"A importância geoestratégica dos Açores manifesta-se na forma como o arquipélago acrescenta dimensão a Portugal e à União Europeia --- no mar, no espaço, nas comunicações e na ciência".
No ano em que se cumprem os 50 anos da autonomia política das regiões autónomas, o presidente do Governo dos Açores salientou o "surto de progresso social, territorial e económico" que aconteceu "em todas as ilhas" com o desenvolvimento do sistema político autonómico.
"Foi com poder político próprio que os Açores se transformaram, ao longo destes cinquenta anos, com recuperação de enormes atrasos, por isolamento, solidão, desconsideração e abandono", realçou.
Bolieiro lembrou que a "autonomia política nasceu da consciência de uma real identidade própria" e destacou que a "qualidade de vida que esta segunda-feira se vive nos Açores não tem nada a ver" com a de há 50 anos.
"Os açorianos criam riqueza e emprego, como nunca, e, só assim, se pode combater a pobreza histórica. Atualmente, temos o maior número de empregados de sempre. Mais de 120.000 pessoas estão empregadas nos Açores. Passámos de uma terra de emigrantes para uma Região que recebe imigrantes", reforçou.
O presidente do Governo dos Açores lembrou que em 2026 também se comemoram os 40 anos da integração de Portugal na União Europeia, que permitiu um "reforço de meios financeiros" para "modernizar o território" e "qualificar os cidadãos".
"Devemos juntar à nossa condição de região ultraperiférica, que justifica a atenção especial às nossas especificidades e necessidades, para que sejam cumpridos valores europeus e comunitários fundamentais, como a coesão social, a continuidade territorial, o direito a ficar das populações residentes, também a nossa condição de centralidade atlântica", defendeu Bolieiro.
As comemorações do Dia dos Açores decorrem esta segunda-feira em Ponta Delgada, na ilha de São Miguel, e são uma organização conjunta da Assembleia Legislativa e do Governo Regional (PSD/CDS-PP/PPM), na sequência da instituição do Dia da Região Autónoma dos Açores, em 1980, para comemorar a açorianidade e a autonomia.
A data, feriado regional, é celebrada na Segunda-feira do Espírito Santo.
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