Foi uma surpresa. O Governo decidiu prorrogar por mais dois anos o período de exercício do cargo do chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas (CEMGFA), almirante Mendes Cabeçadas. A decisão foi tomada anteontem à noite durante a reunião do Conselho de Ministros mas só ontem foi anunciada.
O almirante terminava no próximo dia 3 de Novembro a sua comissão de serviço de três anos no cargo e, como já tem 62 anos, esperava-se que pedisse passagem à reserva (embora pudesse continuar no activo). Além disso, era natural que o Governo socialista escolhesse para CEMGFA um oficial general da sua confiança, tanto mais que Mendes Cabeçadas, como todos os outros chefes militares (Vidal Abreu, da Marinha; Taveira Martins, da Força Aérea e Valença Pinto, do Exército) foram escolhidos por Paulo Portas. A escolha do novo CEMGFA teria também de ter em conta a prometida criação do Comando Único em 2006 (conforme o Programa do Governo).
Note-se, contudo, que as normas previstas para a prorrogação do mandato referem especificamente que esse período pode ir até dois anos, possibilitando ao Governo exonerar Mendes Cabeçadas do cargo a qualquer altura.
De qualquer maneira, a recondução do almirante revela que o Governo terá apreciado a sua actuação à frente das Forças Armadas, nomeadamente na gestão da polémica sobre as novas regras de passagem à reserva e à reforma, protagonizada pelas três associações militares. Ainda na passada quinta-feira, segundo apurou o CM, Cabeçadas se reuniu com as associações para ‘pôr água na fervura’.
A proposta do Governo de recondução de Mendes Cabeçadas tem de ser aprovada pelo Presidente da República, que é, por inerência, Comandante Supremo das Forças Armadas.
VIDAL ABREU DE SAÍDA
O chefe do Estado-Maior da Armada, almirante Vidal Abreu, anunciou ontem que se mantém em funções até ao fim do mandato, que termina em Novembro, afastando uma eventual recondução no cargo por mais dois anos.
Discursando na cerimónia de abertura do Ano Operacional da Marinha, na Base Naval do Alfeite, Almada, Vidal Abreu sublinhou ser a “última vez” que presidia a tal evento, “a praticamente um mês de terminar o mandato”. Num longo discurso, o chefe de Estado-Maior da Armada invocou falta de meios para a renovação da frota e criticou os protestos de rua dos militares, admitindo possíveis sanções.
O Governo decidiu quinta-feira, em Conselho de Ministros, propor ao Presidente da República a recondução, por dois anos, do chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas (CEMGFA), almirante Mendes Cabeçadas, cujo mandato, de três anos, deveria terminar a 3 de Novembro.
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