Grupo liderado por um chefe da PSP é acusado de vários crimes e, segundo a acusação do Ministério Público, terá chegado a planear um ataque à residência oficial do primeiro-ministro, Luís Montenegro.
A Câmara de Lisboa manifestou esta quarta-feira "profunda preocupação" pela identificação de titulares de cargos políticos como alvos de potenciais ações violentas pelo grupo neonazi Movimento Armilar Lusitano (MAL), com o BE a questionar sobre falhas na proteção de dados.
Em reunião pública do executivo municipal, a vereadora única do BE, Carolina Serrão, questionou a governação PSD/CDS-PP/IL sobre o envolvimento de um chefe da Polícia de Segurança Pública (PSP), que estava em comissão de serviço na Polícia Municipal de Lisboa, no grupo neonazi MAL, referindo que "mais grave ainda", segundo notícias recentes, é que essa pessoa acedeu a dados pessoais do primeiro-ministro, Luís Montenegro (PSD), bem como de pessoas da autarquia, como o presidente da câmara, Carlos Moedas (PSD).
"Estamos perante uma falha grave nos sistemas de segurança de proteção de dados. Queremos saber se o executivo tinha conhecimento desta situação, que averiguações internas é que foram feitas e que medidas estão a ser tomadas para apurar responsabilidades e garantir que situações destas não vão voltar a acontecer", perguntou a bloquista.
Em resposta, o social-democrata Carlos Moedas disse que, "obviamente, não tinha qualquer informação sobre isso" e que não foi informado de nada sobre esse assunto.
"Realmente é lamentável os cidadãos afetados não serem informados, qualquer que seja o cidadão", reclamou o autarca do PSD, sem responder às questões do BE sobre que medidas foram tomadas pelo município.
Do PCP, João Ferreira criticou a ausência de uma intervenção por parte do responsável máximo da Polícia Municipal quanto a este assunto.
Por proposta do BE, aprovada com a abstenção do Chega e os votos a favor dos restantes, o executivo deliberou "manifestar profunda preocupação pela existência de uma organização extremista que identificou titulares de cargos públicos e representantes autárquicos como alvos de potenciais ações violentas".
Aprovou ainda "condenar firmemente todas as formas de ideologia neonazi, racista, xenófoba e antidemocrática", bem como quaisquer tentativas de intimidação ou violência dirigidas contra eleitos, ativistas, cidadãos, partidos políticos ou organizações da sociedade civil; sublinhar a gravidade da presença de elementos ligados a forças ou serviços públicos, em organizações neonazis, defendendo o apuramento rigoroso de responsabilidades; e reafirmar o compromisso do município de Lisboa com a defesa da democracia, dos direitos fundamentais, da igualdade e da não discriminação.
O grupo neonazi liderado por um chefe da PSP é acusado de vários crimes e, segundo a acusação do Ministério Público citada em vários órgãos de comunicação social, terá chegado a planear um ataque à residência oficial do primeiro-ministro, Luís Montenegro.
Na semana passada, o jornal Expresso avançou que o MAL mantinha uma lista de mais de 120 pessoas e entidades consideradas "indesejáveis", incluindo Carlos Moedas e outros titulares de cargos autárquicos.
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