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Carneiro acusa Governo de ganhar dinheiro "à custa dos sacrifícios" dos portugueses

Secretário-geral do PS argumenta que o Estado encaixará mais 500 milhões de euros se a inflação ficar 1,5 pontos percentuais acima do previsto.

07 de abril de 2026 às 13:33

O secretário-geral do PS acusou, esta terça-feira, o Governo de "ganhar dinheiro à custa dos sacrifícios" dos portugueses, argumentando que o Estado encaixará mais 500 milhões de euros se a inflação ficar 1,5 pontos percentuais acima do previsto.

"Nas nossas contas, se a inflação vier a alcançar [mais] 1,5 pontos, significa que o Estado vai encaixar mais 500 milhões de euros ao fim do ano, o que significa que isto é imoral, o Estado estar a ganhar dinheiro com o sacrifício dos portugueses", afirmou, em declarações aos jornalistas, durante uma visita ao Mercado de Benfica, em Lisboa, José Luís Carneiro.

Antes da visita foi distribuído pela assessoria do partido um documento em que o PS detalha que se a inflação chegar aos 3,6%, o Estado terá um aumento de 500 milhões de euros de receita de IVA.

"Se esse impacto for estendido a toda a carga fiscal, representa um aumento de receita de 1.668 milhões de euros num ano (0,52% do PIB)", acrescenta o partido no mesmo documento.

Nas declarações aos jornalistas, o líder do PS começou por referir que apresentou ao primeiro-ministro, há um mês, várias medidas de combate ao aumento custo de vida na sequência da guerra no Médio Oriente, que foram recusadas, e enfatizou que os socialistas insistirão nessas medidas na próxima sexta-feira, num debate na Assembleia da República.

Carneiro definiu como prioritário nesta altura a implementação do IVA Zero no cabaz de bens essenciais, apoios para a redução do custo dos combustíveis, bem como da eletricidade e do gás, e criticou o que foi proposto pelo executivo para combater a subida dos preços.

"As medidas que o Governo adotou são medidas claramente insuficientes e o custo de vida está a subir de forma exponencial e as famílias estão a ter graves problemas para encarar este encarecer do custo de vida", considerou.

Questionado sobre a oposição do ministro das Finanças à instituição do IVA Zero, Carneiro respondeu que o ministro "está errado".

O PS contabiliza que, entre outros, a isenção de IVA no cabaz alimentar, a redução temporária do IVA dos combustíveis e do gás de 23% para 13%, a isenção de ISP sobre gasóleo agrícola e um pacote de medidas a empresas de transporte de mercadorias e passageiros teriam um impacto orçamental líquido por trimestre de 0,15% do PIB.

O partido diz ainda que se as medidas forem mantidas até ao final do ano, o impacto líquido será de 0,4% do PIB e que o custo destas propostas "orresponde ao excedente orçamental, não previsto pelo Governo de 2025".

Instado diversas vezes pelos jornalistas a pronunciar-se sobre a eleição para os órgãos externos do parlamento, o líder socialista nunca respondeu, apontando que a sua preocupação é o custo de vida e que é "isso que preocupa as pessoas no seu dia a dia".

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