Para José Luís Carneiro, o caso "está a degradar a autoridade política do Estado", garantindo que sobre isso "nenhum português tem dúvidas", deixando a responsabilidade em Luís Montenegro.
O secretário-geral do PS afirmou esta terça-feira que o caso em torno de ministro Luís Neves está a "degradar a autoridade política" do Estado e que o primeiro-ministro não deve dar "razões" para permitir os "efeitos pirotécnicos" do Chega.
"Tudo o que se tem vindo a passar contribui também para a fragilidade política da autoridade do primeiro-ministro", afirmou José Luís Carneiro, questionado pela Lusa à margem de um jantar com empresários portugueses e moçambicanos em Maputo, onde está em visita.
"Sabemos também que há um partido que utiliza, usa e abusa dos efeitos, digamos, pirotécnicos, para criar factos e para destabilizar as instituições políticas e democráticas. Mas se é verdade isso, nós não podemos dar-lhe razões para que isso possa acontecer. E, portanto, o primeiro-ministro tem uma responsabilidade que é só dele, só ele a pode exercer", acrescentou.
Por isso, insistiu o líder do PS, "não pode o primeiro-ministro também ficar ele próprio fragilizado na sua autoridade política" neste processo, mesmo depois das garantias dadas esta terça-feira pelo ministro da Administração Interna (MAI), Luís Neves.
"Tudo o que se tem vindo a passar contribui também para a fragilidade política da autoridade do primeiro-ministro, porque o que está aqui em causa é um arrastar de uma situação que quanto mais tempo demorar, e por isso o senhor Presidente da República pediu celeridade às entidades que estão a fazer os seus inquéritos e a averiguar os factos, por forma a que este processo não conduza, portanto, à degradação da confiança dos cidadãos nas instituições democráticas", afirmou ainda.
Para José Luís Carneiro, o caso "está a degradar a autoridade política do Estado", garantindo que sobre isso "nenhum português tem dúvidas", deixando a responsabilidade em Luís Montenegro.
"Eu, no dia 29 de julho, transmiti o meu parecer ao senhor primeiro-ministro, Dr. Luís Montenegro. A responsabilidade pelo que se passou, pelo que se terá passado e pelo que se poderá vir a passar no futuro é, naturalmente, uma responsabilidade que deve ser colocada ao Primeiro-Ministro. E só ele é que deve avaliar e só ele é que pode avaliar, porque é ele que forma o seu Governo, se o ministro tem ou não tem condições para o exercício das funções", conclui.
O ministro da Administração Interna considerou esta terça-feira que "a destruição pessoal e política ultrapassou todos os limites" quando o presidente do Chega, André Ventura, o comparou a um 'gangster'.
"Não posso ignorar o que está a acontecer no debate político. Nas últimas semanas, assistimos a uma escalada de mentiras, insinuações, e de destruição pessoal e política que ultrapassou todos os limites", declarou Luís Neves, na cerimónia de comemoração dos 148 anos do Comando Regional da PSP da Madeira, que decorreu em Câmara de Lobos.
O ministro disse que "podia falar no abstrato", mas apontou diretamente ao presidente do Chega, André Ventura: "Comparou-me a um 'gangster' e até já falou que só falta que ande a vender droga na rua".
Luís Neves acrescentou que o presidente do Chega tem feito insinuações e acusações, sem provas, com o objetivo de "destruir" a sua reputação.
"Isto não é escrutínio, isto não é investigação política", afirmou o ministro, defendendo que tem "mais de 30 anos dedicados ao serviço público" e "um legado operacional e de dirigente que é à prova de bala".
"Durante mais de 30 anos combati grandes criminosos, gangsters mesmo, e criminosos da pior espécie, com gente brava, gente corajosa, quer da PJ quer de outras forças. [...] Eu sei do que falo", realçou o governante.
"Sem provas não há acusação, há difamação", reforçou.
Após o discurso oficial, em declarações aos jornalistas, o ministro referiu ainda que estará disponível para "responder a qualquer questão" de André Ventura no debate regimental da Assembleia da República, na próxima semana.
Na semana passada, Ventura já tinha admitido avançar com uma moção de censura caso o primeiro-ministro não resolvesse a situação do ministro da Administração Interna, que considerou ter atingido um nível "grotesco" e "inaceitável".
Interrogado sobre se admitia recuar na apresentação desta moção caso as explicações desta terça-feira do ministro fossem esclarecedoras, André Ventura considerou essa hipótese difícil, fazendo referência à polémica com um atrelado apreendido numa operação contra tráfico de droga e descoberto numa empresa contratada pela PJ (quando Luís Neves liderava a PJ) e pelo governante, e o facto de Luís Neves conduzir um carro apreendido pela polícia.
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