Deputado João Almeida acusou secretário-geral socialista de tentar fazer "diplomacia paralela".
O deputado João Almeida, do CDS-PP, criticou esta terça-feira a visita do secretário-geral do PS à Venezuela, considerando que foi "extemporânea, imprudente e irresponsável", e acusou José Luís Carneiro de fazer "diplomacia paralela".
O deputado centrista deixou estas críticas na abertura do segundo dia das jornadas parlamentares do CDS-PP, que decorrem na Assembleia da República, falando num painel sobre as situações da Venezuela e do Irão.
João Almeida considerou que José Luís Carneiro não devia ter ido à Venezuela nos últimos dias.
"A situação na Venezuela está longe de estar estabilizada" e, quando assim é, "uma presença no terreno beneficia quem se está a querer aproveitar do momento, beneficia quem quer aproveitar este momento e esta conjuntura para manter um poder que é um poder que afronta o povo da Venezuela", sustentou.
O deputado do CDS-PP acusou o secretário-geral do PS de irresponsabilidade e de fazer "uma diplomacia paralela que é perigosíssima nestas circunstâncias".
"Nós temos neste momento um trabalho diplomático muito importante a fazer, um trabalho diplomático que no que diz respeito à comunidade portuguesa, à comunidade lusodescendente", afirmou, defendendo que "há uma prioridade maior do que qualquer outra, que é a libertação de todos os presos políticos e ainda temos presos políticos de nacionalidade portuguesa".
E considerou que "nestas circunstâncias, todas as ações diplomáticas são de uma enorme delicadeza, todas as ações diplomáticas são de enorme sensibilidade e por isso não pode haver espaço para diplomacia paralela".
"A diplomacia tem que seguir os canais próprios e o canal próprio em Portugal é a condução da política externa pelo Governo e em concreto pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros e não pode ser de outra forma. Não pode o líder de um dos principais partidos da oposição em Portugal estar ao lado de responsáveis ilegítimos pelas instituições venezuelanas a dizer que vai falar com o ministro dos Negócios Estrangeiros português para o sensibilizar para esta ou para aquela posição", criticou.
O deputado do CDS-PP defendeu também que a visita do líder do PS foi "imprudente porque obviamente é instrumentalizada" e alegou que o governo da Venezuela é "ilegítimo, resulta de uma eleição cujo resultado foi adulterado e foi ignorado".
João Almeida criticou igualmente José Luís Carneiro por ter estado no parlamento nacional da Venezuela como se este órgão "funcionasse de uma forma normal e se vivesse em democracia", e por "elogiar universidades e dizer que as universidades na Venezuela são até exemplo", quando "nessas universidades foram presos professores e foram presos alunos só porque tinham uma opinião diferente".
"É obviamente imprudente porque está a legitimar uma realidade que, de maneira alguma, nós podemos subscrever", sustentou.
O secretário-geral do PS fez uma visita de quatro dias à Venezuela, na qual visitou o parlamento nacional e manteve contacto com as comunidades nos estados de Miranda, Arágua, Carabobo e La Guaira.
A audiência com a presidente Delcy Rodriguez, que esteve prevista para sábado, acabou por não ocorrer.
As últimas eleições na Venezuela aconteceram a 28 de Julho de 2024, tendo a vitória sido atribuída pelo Conselho Nacional Eleitoral (CNE) a Nicolás Maduro com pouco mais de 51% dos votos.
Este resultado foi contestado pela oposição e pela comunidade internacional, que afirma ter havido fraude e que Edmundo González Urrutia obteve cerca de 70% dos votos.
Nicolás Maduro e da sua mulher, Cilia Flores, foram capturados durante uma operação militar dos Estados Unidos da América em 03 de janeiro.
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