Partido acusa ainda o presidente da autarquia, Pedro Duarte, de surgir "associado a um anúncio do Governo, apresentado à cidade sem discussão prévia nos órgãos municipais, sem elementos concretos conhecidos, sem estudos públicos, sem avaliação dos impactos e sem clarificação das condições de aplicação da medida".
A CDU/Porto considera "encenação política" do Governo e da Câmara do Porto, a anunciada esta quinta-feira proibição da circulação de veículos pesados de mercadorias na Via de Cintura Interna (VCI), nos dias úteis, entre as 07h00 e as 21h00.
Em comunicado, a coligação admite que a medida esta quinta-feira anunciada após o Conselho de Ministros "é positiva no seu princípio, se dirigida ao tráfego pesado de atravessamento e acompanhada do desvio para a CREP/A41", mas que esta "exige regras claras, fiscalização adequada e a salvaguarda das situações de abastecimento local, cargas e descargas e serviços essenciais".
Acusam também o presidente da autarquia, Pedro Duarte de surgir "associado a um anúncio do Governo, apresentado à cidade [a proibição de circulação] sem discussão prévia nos órgãos municipais, sem elementos concretos conhecidos, sem estudos públicos, sem avaliação dos impactos e sem clarificação das condições de aplicação da medida".
A medida foi primeiro apresentada pelo ministro da Presidência do Conselho de Ministros, António Leitão Amaro e, algum tempo depois, acrescentada por Pedro Duarte de que será implementada a partir de 15 de setembro.
"O que está em causa não é apenas a circulação de pesados na VCI, é um método de governação: decidir por cima da cidade, anunciar primeiro, discutir depois --- ou nem discutir --- e transformar cada medida em instrumento de propaganda política", lê-se ainda no comunicado da CDU.
Para a coligação, a VCI "continuará congestionada se não houver uma política integrada de mobilidade, com reforço do transporte público, aumento da oferta da STCP, expansão da rede de Metro, melhoria da ferrovia, criação de interfaces, corredores BUS e soluções estruturais que retirem da cidade o tráfego que não tem o Porto como origem ou destino".
Recorda a CDU que "há muito defende a abolição das portagens na A41/CREP (não apenas para veículos pesados), a retirada do tráfego pesado de atravessamento da VCI e a necessidade de uma resposta estrutural para a mobilidade na Área Metropolitana do Porto".
Neste contexto, a CDU quer ver esclarecido pelo Governo e pela Câmara Municipal quais serão os veículos abrangidos e quais as exceções previstas, como será feita a fiscalização, que estudos sustentam a decisão e qual o impacto esperado na redução do tráfego, da sinistralidade, do ruído e da poluição.
Perguntam também que medidas serão tomadas para impedir que o trânsito seja apenas deslocado para outras vias urbanas, zonas residenciais ou concelhos vizinhos, que articulação existe com Gaia, Matosinhos, Maia, Gondomar, Valongo e restantes municípios da Área Metropolitana e que calendário existe para soluções estruturais, incluindo a discussão da CRIP e de alternativas reais ao tráfego de atravessamento.
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