UGT não participou na manifestação desta quinta-feira, mas esteve representada nas galerias da Assembleia da República, durante a discussão.
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Largas centenas de pessoas concentraram-se esta quinta-feira junto à Assembleia da República, em Lisboa, pela queda do pacote laboral, no momento em que a proposta está em discussão em plenário na generalidade.
Pelas 14h00, à mesma hora em que estava agendado o início do debate na Assembleia da República, largas centenas de trabalhadores já estavam em frente ao Palácio de São Bento, gritando palavras de ordem como: "Não vamos desistir, o pacote é para cair" e "Ninguém quis, ninguém quis, o pacote do Luís", munidas com bandeiras, vuvuzelas e buzinas.
O protesto, agendado pela CGTP, vai prolongar-se até ao fim da discussão desta quinta-feira no parlamento. Ao longo da tarde, são esperadas intervenções de várias estruturas sindicais afetas à central sindical.
A UGT não participa na manifestação desta quinta-feira, mas estará representada nas galerias da Assembleia da República, durante a discussão.
Uma delegação da CGTP também está presente na Assembleia da República. O líder da intersindical só vai prestar declarações no fim do debate.
O PCP e o Bloco de Esquerda marcaram presença no protesto antes do início da sessão.
O secretário-geral do PCP, Paulo Raimundo, disse aos jornalistas que este pacote laboral "não pode passar porque não responde às necessidades do país e dos trabalhadores", sublinhando que, quem está no parlamento, tem de ouvir esta rejeição.
"Vamos ver agora quem está ao lado dos trabalhadores. Se há quem pense que amanhã este processo termina, está muito enganado", avisou.
Paulo Raimundo criticou ainda os "troca-tintas, os posicionamentos de cambalhotas e o dito por não dito", mas acrescentou que a força dos trabalhadores "é maior do que a maioria que se encontra no parlamento".
Por sua vez, o líder do Bloco de Esquerda, José Manuel Pureza, referiu que este é "um dia muito importante", que vai permitir clarificar quem está contra ou a favor dos trabalhadores.
"Este pacote laboral é uma agressão ao mundo do trabalho e aos direitos dos trabalhadores", assinalou, deixando críticas ao Chega, que "já disse que este pacote é muito mau e já disse que é aceitável".
Pureza lamentou o que disse ser "a rábula do conto do vigário" para aprovar as alterações ao código do trabalho e acrescentou que um código melhor não é o que tira direitos aos trabalhadores.
O pacote laboral chega ao parlamento após nove meses de negociação em sede de concertação social, que terminaram sem um acordo entre os parceiros e o Governo.
A ministra do Trabalho defendeu esta quinta-feira que a reforma laboral pretende "romper com a ideologia do empobrecimento", de modo a que "o trabalho seja mais produtivo e as empresas mais competitivas", responsabilizando o PS pelo "atual estado do país".
"Esta é uma reforma para romper com a ideologia do empobrecimento que nos trouxe até aqui e para relançar o país", afirmou a ministra do Trabalho Solidariedade e Segurança Social, Rosário Palma Ramalho, durante a sua intervenção inicial do debate, na generalidade, da proposta de lei de revisão da legislação laboral, que decorre esta quinta-feira na Assembleia da República.
Segundo a governante, a proposta visa "reforçar direitos", mas "também garantir que o trabalho seja mais produtivo e as empresas mais competitivas", dado que esse é o "único caminho" para "pagar melhores salários", defendeu, lembrando que o nível salarial do país está 35% abaixo da média europeia.
Palma Ramalho disse que o executivo liderado por Luís Montenegro "recusa cair nas armadilhas do passado", considerando "um erro exigir maior convergência com os salários e as condições de vida do resto da Europa, mas rejeitar as lições que a Europa nos oferece para atingir esse objetivo".
"E é um erro diabolizar o mundo empresarial", vincou.
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