"Acho que é tempo de agir e não tempo de continuar a fingir que estamos a atuar", exclamou André Ventura.
O presidente do Chega, André Ventura, considerou esta quarta-feira constrangedor que o PSD ainda não tenha percebido que sem uma comissão parlamentar de inquérito nunca se saberá nada sobre a eventual interferência do primeiro-ministro no sistema bancário.
"Com as respostas que tivemos passados dois meses é constrangedor ver que o maior partido da oposição ainda não percebeu que ou avançamos para um inquérito parlamentar ou nunca vamos saber nada sobre a interferência ativa de um primeiro-ministro no sistema bancário para proteger a filha de um presidente que está neste momento está sob investigação das autoridades e tem um mandado de captura internacional", criticou André Ventura, em declarações aos jornalistas no parlamento.
O presidente do Chega falava pouco depois de o líder parlamentar do PSD ter admitido esta quarta-feira que o partido poderá dar "uma segunda oportunidade" e repetir questões ao primeiro-ministro ou colocar novas sobre uma eventual interferência no Banco de Portugal, antes de ponderar um inquérito parlamentar.
"Esperamos que esta ausência de resposta seja o que é preciso para que possamos constituir uma comissão parlamentar de inquérito em vez de andarmos aqui sempre a adiar, a adiar, a adiar", apelou o presidente do Chega, considerando que este é o "único instrumento parlamentar" existente "para conseguir estas respostas".
Depois de ouvir as palavras de Joaquim Miranda Sarmento, André Ventura exclamou: "eu acho que é tempo de agir e não tempo de continuar a fingir que estamos a atuar".
"Tal como o Chega disse desde o inicio não teríamos respostas nenhumas. O líder parlamentar do PSD confirmou isso mesmo, que não houve respostas, que as respostas foram não satisfatórias e o que surpreende é que como é que o PSD achou que ia acontecer o contrário", disse.
Questionado se exclui, como admitiu no passado, avançar com uma comissão de inquérito parlamentar, o líder parlamentar do PSD considerou que "as comissões de inquérito nunca são ameaças".
"Não excluímos nenhum mecanismo parlamentar, não excluímos a comissão de inquérito. O mais provável, nesta fase, é que haja espaço para que o primeiro-ministro tenha uma segunda oportunidade para esclarecer os portugueses, dado que nesta primeira pouco ou nada esclareceu", afirmou.
António Costa enviou na terça-feira ao parlamento a resposta às perguntas que lhe foram colocadas pelo PSD em 23 de novembro passado, depois de o ex-governador do Banco de Portugal Carlos Costa o ter acusado de pressão e de "intromissões políticas" no processo de afastamento da empresária Isabel dos Santos do BIC.
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