Rui Cristina, antigo deputado do PSD advogou que o SNS está "em bancarrota, principalmente em consequência da ação" do atual governo.
O deputado do Chega Rui Cristina considerou esta quarta-feira que o Serviço Nacional de Saúde (SNS) está em colapso em termos de funcionamento, sem qualquer capacidade de supervisão, e acusou a ministra Ana Paula Martins de incompetência.
Rui Cristina, antigo deputado do PSD, fez estas acusações na intervenção que proferiu no período de declarações políticas, em plenário, na Assembleia da República.
Um discurso que foi depois contestado pelo ex-bastonário da Ordem dos Médicos e "vice" da bancada do PSD, Miguel Guimarães, que acusou o Chega de não propor quaisquer soluções para o setor e defendeu a ministra Ana Paula Martins, sobretudo em matéria de reforço do INEM.
Na sua intervenção, Rui Cristina advogou que o SNS está "em bancarrota, principalmente em consequência da ação dos governos PSD/CDS", e em vias de "entrar em colapso em termos de funcionamento".
O deputado do Chega assumiu que os executivos de Luís Montenegro "receberam uma herança pesada dos governos socialistas, mas a culpa, na sua perspetiva, "pertence à ministra Ana Paula Martins, que optou pela inércia e por soluções inadequadas".
"Exigimos respostas e responsabilização política. A ministra da Saúde já deu provas de incompetência", disse, já depois de ter dito que um homem morreu em consequência da greve no INEM - paralisação em relação à qual "o Ministério da Saúde não tomou as medidas preventivas adequadas".
Rui Cristina sustentou que o SNS "continua sem conseguir atrair os recursos humanos que necessita" e, ao mesmo tempo, regista um aumento da despesa na ordem dos 9%, com o défice a atingir os níveis do período da pandemia da covid-19.
"Assistimos a falhas graves de supervisão", apontou - aqui numa alusão ao caso de um dermatologista que conseguiu pagamentos avultados pelo Hospital de Santa Maria em Lisboa. E concluiu: "O SNS exige uma gestão mais competente e mais transparente e Ana Paula Martins não possui as competências suficientes".
Na resposta, Miguel Guimarães acusou o deputado do Chega de só falar de casos que correram mal "para efeitos de exploração política" e defendeu a ação da ministra, designadamente no que respeita ao INEM.
"O Chega fala em reformas, mas não se conhece uma única sua ideia para a reforma do Estado ou para a saúde. O Chega não sabe o que quer da reforma do Estado e não sabe o que quer para a saúde", reagiu o ex-bastonário da Ordem dos Médicos.
Nesta parte da sessão plenária, o Governo foi também criticado pela dirigente socialista Mariana Vieira da Silva, que criticou a ministra da Saúde por "nunca assumir responsabilidades", procurando remetê-las sempre para terceiros.
"Ao fim de 14 meses de governos do PSD/CDS, temos mais portugueses sem médico de família, temos mais portugueses em listas de espera e mais portugueses em listas de espera para cirurgias ou consultas. Pelos maus resultados no setor, pelos casos mais graves, a ministra da Saúde já responsabilizou todos. E no caso do INEM até tentou responsabilizar dois técnicos", referiu Mariana Vieira da Silva.
Para a antiga ministra socialista, Ana Paula Martins está a contribuir para agravar a instabilidade no setor da saúde.
"Responsabiliza tudo e todos, mas nunca assume as suas próprias responsabilidades", acrescentou.
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